terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bandas não declaravam valores reais de cachês de shows à Receita Federal

OPERAÇÃO 'FOR ALL'

Bandas não declaravam valores reais de cachês de shows à Receita Federal

De acordo com os órgãos que participaram da investigação, apenas 20% a 50% dos cachês eram declarados
    
Representantes da Polícia Federal e da Receita Federal esclareceram a primeira fase da operação 'For All' ( Foto: Natinho Rodrigues )Empresa A3 Entretenimentos, localizada no bairro Passaré, foi alvo de mandados de busca e apreensão ( Foto: Natinho Rodrigues )

As bandas de forró que estão sendo investigadas na Operação "For All"não declaravam os cachês dos shows por inteiro no Imposto de Renda, segundo a Receita Federale a Polícia Federal, que concederam coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (18), na sede da PF em Fortaleza.

De acordo com os órgãos, apenas20% a 50% dos cachês eram declarados, por se tratar da parcela que era depositada na conta das empresas. A outra parte, que pode chegar a 80% do valor real, era paga em dinheiro em espécie às bandas, antes delas subirem ao palco.

A sonegação fiscal foi descoberta a partir da diferença entre o valor declarado pelas bandas e o cachê pago em shows que tinham prefeituras municipais como contratantes, já que estas discriminavam o valor real em documentos oficiais. Informações sobre o cachê das bandas fornecidas pela imprensa também colaboraram para a investigação.

"O que causou estranheza é o que é divulgado e o que efetivamente vai para o papel, para a declaração. Quando você cruza a quantidade de shows que é realizada por ano com o valor que eles cobram por cachê, a gente vê que é totalmente díspare do que eles informam oficialmente à Receita Federal. É uma diferença enorme", afirmou a delegada da Polícia Federal que conduziu a operação por dois anos, Doralucia Oliveira de Souza.

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Além dos cachês dos shows, outros valores também eram omitidos pelas bandas de forró e pela empresa que controla esses grupos. A reportagem apurou que aA3 Entretenimento é a empresa investigada nessa primeira fase da operação e que Aviões do Forró eSolteirões do Forró são duas das quatro bandas envolvidas no esquema fraudulento.

"Existem dois caminhos. Um mundo oficial e um mundo clandestino, subterrâneo. A parte formal dessas empresas representa em torno de 20% do que efetivamente circulava de dinheiro. A grande parte dos recursos circulava em espécie, e isso demonstra claramente a tentativa de se evadir da tributação, o que apresenta indícios de lavagem de dinheiro", reforçou o Auditor Fiscal e Superintendente da Receita Federal no Ceará, Piauí e Maranhão, João Batista Barros.

Segundo Doralucia Souza, a operação "For All" continuará e irá abranger outras empresas e outras bandas no Ceará.

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