Como falar sobre dinheiro com as crianças

 

RESPONSABILIDADE FINANCEIRA

Como falar sobre dinheiro com as crianças

10/10/2016 | 01:30

Átila Varela

Responsabilidade financeira é coisa de criança. Desde cedo, se os pequenos forem orientados na administração dos recursos, eles podem se tornar adultos responsáveis e controlados com relação ao dinheiro, dando valor ao item, sem cometer “excessos” e preparados para tomarem decisões. Para chegar a tal ponto, é necessário seguir série de regras e, especialmente, o comprometimento dos pais.

 

Não existe idade predefinida para a criança ter contato com o dinheiro. Isso vai variar de acordo com a predisposição dos pais. Mas, principalmente, a criança que irá determinar esse tempo. Pode ser aos três, cinco ou sete anos. “Isso não funciona como uma receita. A própria criança vai determinar esse tempo. É ela quem vai sinalizar para os pais essa fase de sua vida. O seu interesse”, destacou a Shandra Aguiar, coordenada do Núcleo de Educação ao Consumidor da (Educon) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Mas algumas métricas podem ser seguidas para quem não sabe iniciar os filhos na educação financeira. Aos três anos, recomendam-se brincadeiras como guardar uma moeda em um cofrinho. Elas incentivam o hábito futuro de poupar. Vale destacar que nessa idade não há noção de quantia.

Dos sete aos 10 anos, os pequenos começam a desenvolver a ideia de finanças. Uma quantia específica deve ser dada. Pode ser R$ 5, R$ 10, R$ 20. Dependerá da situação financeira de cada um. O momento simboliza a autonomia da criança ter seu próprio dinheiro. Ele é usado, em alguns casos, na compra de um lanche do colégio ou no álbum de figurinhas.

Já na pré-adolescência a evolução da quantia tem de ser gradativa e acompanhada de conversas orientadoras sobre a importância do dinheiro e como ele deve ser utilizado. “Nessa fase os pais conversam com os filhos sobre a forma como o dinheiro pode render com investimentos no banco, o juro e a importância da poupança para usar o recurso em algo que ele deseje a médio ou longo prazos”, afirma Amanda Marçal, educadora financeira da DSOP.

Devem ser criados mecanismos de controle financeiro. Com uma planilha ou caderno de anotações há como saber o fluxo de caixa. Sem o acompanhamento, os filhos podem querer gastar mais do que recebem. É a fase do “pedir um pouco mais”. Antes de alterar o valor, recomenda-se fazer uma análise para saber o motivo de um eventual descontrole.

Dinheiro x comportamento

Os pais erram feio em condicionar o dinheiro ao bom comportamento dos filhos ou às notas da escola. “Se toda vez que uma criança tirar 10 ela ganhar determinada quantia, o que era fim, ou seja, aprender, se desenvolver cognitivamente e socialmente, acaba se tornando apenas um meio para outra finalidade – conseguir dinheiro”, aponta Shandra Aguiar. A mesma regra é válida para os afazeres domésticos, como por exemplo, arrumar o quarto. “Essa visão pode levar a criança ou o adolescente a crer que o dinheiro é a mediação de tudo e que as únicas coisas que valem a pena ser feitas são aquelas que são pagas”, alerta a especialista.

 

E qual a solução? Não reduzir o valor da mesada em caso de notas baixas ou apenar os filhos com a remoção do recurso pelo mau comportamento. “É aconselhável não vincular o dinheiro ao comportamento. A quantia que ele recebe, no caso de uma mesada, é para administração dos próprios gastos”, avalia Amanda Marçal.

Deve-se evitar também adotar o costume de sempre dar presentes às crianças fora de ocasiões específicas, como aniversário ou Natal e, muito menos, dar um presente quando ela pede. Nesse momento os pais passam para as crianças a ideia de que na vida tudo é fácil. Outro erro é não lembrar que a criança vive o que vê, ela reproduz exatamente o que vive, então o pai precisa “se policiar” para não querer ensinar a criança o que ele mesmo não pratica.

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