sábado, 1 de outubro de 2016

Período eleitoral marcado pela violência no Estado

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Período eleitoral marcado pela violência no Estado

Na última quinta-feira (29), o candidato a vereador de Saboeiro pelo PSD, Marcos Antônio Alves de Melo, foi baleado em suposta tentativa de assalto

O período eleitoral municipal de 2016 no Ceará foi marcado por diversos atos de violência. No Estado foram registradas mortes de candidatos ao cargo de vereador, além de pessoas feridas durante atentados. Conforme especialista, os atos podem mudar os rumos da escolha do eleitor.

Ações de violência foram registradas, por exemplo, nos Municípios de Assaré e Aiuaba. O candidato a vereador e ex-secretário de Cultura de Saboeiro pelo PSD, Marcos Antônio Alves de Melo, foi baleado por volta das 16h30 da última quinta-feira (29). Ele foi vítima de um suposto assalto e chegou a ser atingido por dois tiros, além de descer uma ribanceira com o veículo que guiava, uma Toyota Hylux de cor prata, com placas de Fortaleza. A vítima foi seguida e abordada por três homens que estavam em um veículo Polo Sedan de cor branca.

Ao perceber que estava sendo seguido, Marcos decidiu aumentar a velocidade com o veículo, mas foi alcançado pelos três homens, que, segundo ele, estavam "bem vestidos". A vítima foi atingida e perdeu o controle do carro. Os suspeitos ainda foram até o local onde o candidato estava, revistaram o carro e levaram alguns pertences.

O crime aconteceu entre o distrito de Aratama e a cidade de Assaré. A Polícia Militar do destacamento do Município chegou a ir até o local do crime, mas não conseguiu pistas dos ocupantes do Polo. O juiz eleitoral da cidade e o promotor também estiveram na área onde ocorreu o acidente e a tentativa de homicídio.

No dia 24 de setembro, o vereador de Aiuaba e candidato à reeleição José Valmir de Sousa, 58 anos, foi morto. Segundo a Polícia, ele foi abordado ao deixar um comício e atingido por vários tiros na cabeça.

Prejuízos

Para o sociólogo César Barreira do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), o primeiro aspecto que deve ser observado é que a violência existente nesse período é a mesma presente em todo o ano. "Não podemos tirar da violência o tempo da política. Isso ocorre em todos os momentos, inclusive no tempo eleitoral. Existem contradições e disputas", analisa.

Conforme o especialista, esse momento termina em práticas violentas devido às diferenças ideológicas. Além disso, outra questão citada pelo coordenador é a eliminação de um candidato pela ação física. "O calar de um voz é forte. No caso do crime de assassinato, o ato acaba sobressaindo". Ainda na avaliação de Barreira, outro fator que deve ser levado em consideração é o vazio nas regras políticas em determinadas regiões. "Municípios e candidatos novos passam por essa transição", pontuou.

Na concepção do sociólogo, quando existe a morte de quem disputa o pleito, caso o substituam, o novo candidato pode vir a ser um herói devido à violência ao anterior. "O prejuízo para o eleitor fica na decisão do voto. Um candidato sobrevivente a um atentado tem mais chances de vencer uma disputa", aponta.

    
© Diário do Nordeste

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