sábado, 1 de outubro de 2016

Pescadores são resgatados no Pecém depois de 22 horas no mar

 

NÁUFRAGOS

Pescadores são resgatados no Pecém depois de 22 horas no mar

MATEUS DANTAS

Jéssika Sisnando

Uma multidão de gente se apertava na Rua da República, no Pirambu. Pertinho do mar, a casa estava que não passava mais uma pessoa pela porta estreita. Eram vizinhos, curiosos e familiares dos pescadores Talles Jacinto da Silva, 42, e Francisco Daniel Freitas de Azevedo, 27. As pessoas queriam ver para acreditar que os dois haviam sobrevivido a 22 horas no mar, depois que a embarcação de médio porte em que eles estavam virou. Para a pescaria, que eles chamam de tiradinha e dura em média três horas, eles costumam se distanciar 22 quilômetros da praia. 

 

Na manhã da última quinta-feira, 29, os dois foram pescar, mas, por volta das 14 horas, a embarcação virou. Os pescadores conseguiram permanecer em cima do barco e contam que só sobreviveram porque tiveram atitude fraterna. “Passamos das 14 horas de ontem (quinta) até as 10 horas de hoje (ontem). Sobrevivemos porque ficamos abraçados um no outro para aguentar aquele clima frio. A quentura do corpo ajuda. Nessa hora temos que ser mais do que um irmão para se aquecer, para se salvar”, ensina Talles.

Pescador há mais de 32 anos, Talles explica que a maré enchia, ajudando-os a se aproximarem da faixa de areia, e secava, fazendo com que se afastassem. No Pecém (praia de São Gonçalo do Amarante), os dois foram avistados por outra embarcação, que parou e ajudou. “Duas pessoas ajudaram a desvirar a embarcação e fomos com eles até o Pecém. Colocamos uma camisa como se fosse uma bandeira. Fazia até um tempo que eles não iam para essa pescaria e hoje (ontem) eles foram. Foi Jesus que mandou eles”, celebra.

Quando perceberam que a embarcação estava vindo na direção deles, foi o momento de se abraçarem novamente. Não mais para se aquecer, mas para comemorar. Ambos foram levados à casa dos salvadores, que deram de comer e os enviaram de volta para as respectivas casas.

Na volta, Daniel, tomado pela emoção de ter sobrevivido, pediu em casamento a companheira com quem gerou a Nicole, de um ano e um mês. Na hora do sim, todos da rua aplaudiram. A emoção tomou conta daquela rua apertada do Pirambu, na tarde de ontem.

 
O POVO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário