segunda-feira, 10 de abril de 2017

291 ANOS Reabilitação do Centro é vital para mudar Capital. Ações propõem mais uso da bike, ecotaxis, bondes elétricos e a implantação de hubs de mobilidade.

por Lêda Gonçalves - Repórter


Bairro possui patrimônio histórico importante, além de equipamentos variados.
( FOTO: Fabiana de Paula )

Para Mirian dos Santos, morar no Centro ainda vale a pena
( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

A desertificação e deterioração dos centros urbanos é uma regra com muito poucas exceções. E Fortaleza, infelizmente, não foge da maioria. Seu resgate como coração pulsante da cidade, pela sua importância histórica, berço da urbe, equipamentos diversificados e agregadores, é uma das mais desafiantes missões para, de fato, conseguir reinventá-la como Capital mais humana do ponto de vista social e ambiental, sustentável e criativa.

Fortaleza cresceu tendo como referência geográfica a área central e depois se expandiu até configurar seu mapa atual. Como origem do processo, ela se instalou nas proximidades do Riacho Pajeú em conveniência com os benefícios de proximidade do mar e da foz do riacho, com vistas à água potável e aos potenciais contatos futuros por via marítima. Em seguida, desenvolveu seu crescimento apoiado pelo planejamento de quadras regulares com base no desenho do engenheiro Silva Paulet, em 1812. Em 1875 essa área foi dilatada em seu traçado a partir de planta de Adolfo Herbster, com a consequente criação dos bulevares Imperador, Duque de Caxias e Dom Manuel. Viveu seu apogeu quando era ocupado por uma população com maior poder aquisitivo, formada por grandes comerciantes, exportadores, funcionários da administração pública, e foi perdendo com a mudança dessa classe para a área leste, Aldeota. Por décadas sofre com crescente desvalorização e descaracterização.

Seus 27 mil habitantes sonham com ações concretas para reverter esse cenário. É o caso de dona-de-casa Maria Diana Pessoa. Moradora da Rua Princesa Isabel desde que nasceu, há 53 anos, lamenta que as ações para o bairro sejam sempre paliativas. "Durante o dia, por causa do comércio, temos, vida, durante a noite, aqui é mais triste que o cemitério", compara.

Para os especialistas, participantes do Fortaleza 2040, é chegado o momento onde todos os esforços devem ser feitos para empreender mudanças convenientemente harmonizadas para que o Centro Urbano venha a "restaurar seu papel como o foco principal da comunidade fortalezense e permaneça sendo o núcleo simbólico da região e represente, desta maneira, a principal imagem urbana memorável da Cidade de 291 anos", defendem.

Para isso, as propostas são muitas: desde a ampliação da área central, segundo o Plano, o limite da área seria ao leste com a Rua João Cordeiro, ao oeste a Avenida José Bastos, ao sul a Avenida Domingos Olímpio - admitindo-se os efeitos mútuos de convivência capilar e potência de oportunidades convenientes com o campus do Benfica - e a orla litorânea ao norte.

Além do incentivo à moradia, com redução do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), favorecimento da circulação de pedestres, a redução da motorização com melhoria da conectividade por transporte ativo (bicicleta, caminhada e ecotaxi), qualificação e apoio à vivificação do espaço público; obtenção de melhor conectividade entre o Centro e o resto da cidade, apoio do transporte local por bonde elétrico e metrô, apoiados por uma rede de Hubs de mobilidade em localizações periféricas e acessíveis. "Ecotáxis são bicicletas com cabine expandida que leva o ciclista e um casal, por exemplo", explica o arquiteto Fausto Nilo.

LEIA TAMBÉM: Recuperação do bairro é sonho que dura décadas

Já as hubs de mobilidade, proposta considerada fundamental para o Centro, são complexos de estacionamentos estruturados, vinculados com usos mistos verticalizados e comércio no pavimento térreo. Cada componente desse padrão será desenhado como um centro receptor e emissor de viagens por ônibus egressos e destinados às zonas urbanas exteriores ao core central, ou seja, à rede de transporte público por BRT. "Esta solução será também a forma de subtrair os impactos da presença de inúmeras linhas de ônibus circulando nas exíguas ruas centrais, em conflito constante com os pedestres. São mudanças que poderão alterar a importância das ruas centrais para as pessoas e com isto favorecer a gradativa reconstrução, onde for conveniente, para reabilitar o Centro Urbano", diz parte do texto do Plano Específico para Reabilitação do Centro, do Fortaleza 2040.

O titular da Secretaria do Centro, Adail Fontenele, afirma que, enquanto esse planejamento não sai do papel, outras ações estão sendo executadas. Entre elas, a recuperação de praças como a do Ferreira, dos Leões, Capistrano de Abreu (Lagoinha) e Clóvis Beviláqua (da Bandeira). "Estamos restaurando o piso, reforçando a iluminação, colocando câmeras de monitoramento, elas terão cabines de segurança para a PM e Guarda Municipal", frisa, ressaltando a transferência da Feira da José Avelino para a antiga fábrica, na Jacarecanga, com 8,5 mil vagas. "Os que estiverem em galpões, atualmente irregulares, e quiserem se adequar, vão ficar na área. Teremos também três mil vagas para os mercados públicos",diz.

Praticamente todas as grandes cidades do Brasil têm procurado repensar suas áreas centrais, reafirmando-as como locais estratégicos, aponta o geógrafo e pesquisador Jader Oliveira. "É preciso devolver ao bairro uma vida integral e não apenas poucas horas do dia".

© Diário do Nordeste

©Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.

LIMOEIRO DO NORTE-CE​: Acidente de trânsito​

Informações extraoficiais dão conta de um acidente de trânsito, que veio a ocorrer por volta de 13:00hrs, na Av. Dom Aureliano Matos, em fr...