domingo, 9 de abril de 2017

A CURA PELA FÉ Mesmo com avanços tecnológicos e medicinais Rezadeiras resistem e mantém viva tradição da cura pela oração. Quebrante, mau-olhado, vento caído, espinhela caída, peito aberto, entre outros; quem nunca ouviu falar dessas expressões?


A Cura pela Fé
Ronuery Rodrigues

Quebrante, mau-olhado, vento caído, espinhela caída, peito aberto, entre outros; quem nunca ouviu falar dessas expressões? Elas estão ligadas aos males comuns que atingem a qualquer pessoa nos dias atuais e são termos conhecidos no Cariri; as chamadas doenças do espírito promovem indisposição no enfermo e só são retiradas através de orações.

Para combater tais males, entra em ação o trabalho das “Rezadeiras”, pessoas simples que com sua fé, e com algum conhecimento da medicina popular, desempenham essa atividade e ajudam a muita gente. Essas Rezadeiras, em sua maioria mulheres, são praticantes do Catolicismo e mantém viva a esperança da cura desses males que atingem a alma.

Nossa equipe conversou com duas Rezadeiras que residem na zona rural de Crato e há muitos anos, realizam essa atividade no distrito Dom Quintino a 25km de Crato. Essas mulheres, católicas praticantes, tampouco cobram por seus trabalhos ganhando credibilidade em sua comunidade de onde se tornaram referências quando o assunto é Fé.

Com 76 anos, Maria Bezerra Leite, popularmente conhecida por Dinha, reside no distrito, e sabe da responsabilidade que é cuidar da saúde espiritual das pessoas de sua comunidade. Há trinta anos, a aposentada desempenha o trabalho de Rezadeira. Dinha afirma que se trata de um dom dado por Deus para rezar nas outras pessoas “ Rezo porque é um dom, não tem escola para isso, a gente já nasce com o dom”, contou. Ela descobriu o dom, aos dezoito anos de idade quando residia em Assaré, sua terra natal.

Com o galho de Pinhão roxo, e proferindo as orações da Igreja Católica, a aposentada reza em crianças para os mais diversos males, desde mau-olhado a vento caído, e em pessoas adultas  apenas com as mãos, para quebrante, mau-olhado, espinhela caída, peito aberto, entre outros.Dinha não esconde que a solidariedade é algo muito importante em sua vida, ela revela que interrompe qualquer atividade para rezar em alguém que chega em sua casa a procura de ajuda, “Eu deixo a comida e vou atender quem chega aqui em casa, eu vou rezando e a pessoa vai ficando logo bom”, relata.

É PRECISO CRER

Não diferente de Dinha, outra Rezadeira da localidade, Francisca Gonçalves Pereira, 70 anos, tem uma longa estrada nessa tarefa, ela desempenha esse trabalho há mais de vinte oito anos e, conforme conta, pediu a Deus uma forma de poder ajudar as outras pessoas, e de lá até aqui, as portas da sua casa estão sempre abertas aqueles que precisarem de suas orações. Francisca faz questão de afirmar que seu trabalho é pautado apenas no Catolicismo, pois os desafios enfrentados nessa tarefa são grandes, a não valorização do trabalho é um deles, por exemplo. Francisca conta que alterou o horário das refeições para poder atender o povo, “Eu janto cedo pra poder receber o povo, que chega sempre nos horários das refeições. Eu peço a Deus para nunca dizer um não a alguém”, revela, para finalizar dizendo que em suas orações sente a presença de Deus.

Francisca Gonçalves, desempenha o trabalho de Rezadeira há trinta e oito anos. (Foto: Rafael Pereira)

E em se tratando de crer, Euzébia Laurindo, é testemunha de que as orações por essas rezadeiras proferidas ajudam as pessoas da comunidade a melhorarem a saúde física e espiritual. Certo dia, conta ela, estava sem poder caminhar por conta de uma dor-de-cabeça forte, e foi graças as orações de uma dessas rezadeiras a fez se sentir melhor.

Segundo o pároco da localidade, Padre Ribeiro, toda oração que é feita para o bem, Deus abençoa, pautado na Sagrada Palavra que diz “A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá” (Tiago 5, 15). De acordo com o reverendo “A gente acredita na cura, porque quem cura é Deus, não é o curador que cura, a cura vem pela fé, e se a pessoa não tiver fé a cura não chega, “afirma.

A benzedeiras e rezadeiras da tradição católica rezam nas crianças e pessoas enfermas, fazendo-as ficarem bem, se as orações são católicas, e as rezadeiras católicas praticantes, a igreja não encontra restrição.

Na localidade existem cerca de quatro rezadeiras, as quais são procuradas diariamente pelas pessoas da comunidade e até de outras localidades para receberem suas orações. Elas são detentoras de um saber popular que existe há anos e é fundamental para a cultura local, e, no entanto, está passando despercebido. Contudo, como elas fazem questão de afirmarem, enquanto houver quem tenha fé, ali vai está uma Rezadeira para rezar.

Fonte Agência miséria

Pedófilo é preso pela Polícia Civil com 500 imagens ilícitas envolvendo meninas de 11 a 14 anos.

Investigações realizadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Icó – Área Integr...