domingo, 30 de abril de 2017

EM ASSARÉ Linguiça caseira vendida por metro é tradição há 60 anos na terra da Patativa. Era final da tarde quando o poeta Patativa do Assaré saia de casa em direção ao restaurante de dona Zenilda, no centro da cidade, O Zenildim. Como de costume, sentava à mesa e pedia a amiga um café e um cigarro de fumo forte. Como cliente especial e muito amigo da dona, Patativa repetia o mesmo ritual todos os dias. 

Era final da tarde quando o poeta Patativa do Assaré saia de casa em direção ao restaurante de dona Zenilda, no centro da cidade, O Zenildim. Como de costume, sentava à mesa e pedia a amiga um café e um cigarro de fumo forte. Como cliente especial e muito amigo da dona, Patativa repetia o mesmo ritual todos os dias. 

Essa história é contada por Zenilda Soares Ferreira. Nascida e criada em Assaré, hoje com 84 anos, a simpática senhora herdou da mãe uma prática incomum, mas que se tornou o negócio e o sustento da família durante três gerações. Ela fabrica linguiça caseira e vende por metro. 

"Dizem que é a melhor linguiça do Brasil, então eu acredito". Há 60 anos a rotina de Zenilda é a mesma: levanta cedinho e vai até o pequeno restaurante. Lá serve as porções de linguiça com tapioca aos clientes que se misturam entre moradores de Assaré e gente que chega de toda parte do país pra experimentar a iguaria. 

Às 11 horas, baixa os portões e vai pra casa "tirar um cochilo". Ao acordar, continua a despachar os clientes que chegam à porta, mas, de casa, só vende o produto ainda cru.

São três pessoas pinicando, duas enchendo e duas furando, mas a função de temperar é exclusiva de Zenilda. Ela reserva dois dias na semana para a fabricação das linguiças. A produção rende 40 kg do embutido a cada remessa, "vende tudo", ela garante. 

Lá o sistema é todo manual, "fazer linguiça na máquina tira o sabor", ela alerta experiente. Não tem espaço pra linguiça de frango, de boi e muito menos mista. Linguiça autêntica é só de porco, "e tem que ser caipira", salienta. 

Mas por que será?

Dona Zenilda garante que durante seis décadas fazendo linguiça, só escutou uma reclamação de clientes. Ela conta que um grupo de turistas foi até o seu restaurante e, após a refeição, confessaram que a carne não estava tão saborosa. "Naquele dia eu teimei e fiz a linguiça com porco de granja, e não caipira", ela lamenta. Deste momento em diante, só faz a linguiça com o porco criado no quintal.

Mas qual é o segredo do sucesso? 

Não precisa ir muito longe para descobrir a receita: "tem que temperar, se não temperar não fica bom", ela diz. A escolha da carne e bastante tempero são essenciais para dar o sabor da iguaria. Dona Zenilda reclama que, após ensinar às pessoas como se faz a linguiça, alguns voltam e se queixam de que o sabor não ficou igual as dela, "eu não posso fazer nada se eles têm pena de temperar", ela diz com bom humor". 

Linguiça caseira vendida por metro é tradição há 60 anos na terra da Patativa (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)

Apesar da tradição, as dificuldades com a crise também afetos os negócios em Assaré. O baixo movimento em dias de feira, que costumavam animar o comércio local, é reflexo do cenário financeiro que assola o país. Mas dona Zenilda mantém firme o preço do seu produto, cobra R$ 45,00 por metro e deixa claro: "compra quem tem condição". Ela lamenta que em 30 kg de carne que compra, 8 kg são de gordura e osso. 

Aos 84 anos, dona Zenilda escreveu na história de Assaré um capítulo que irá ficar na memória da cidade. Mas é uma pena saber que, mesmo com tanta tradição, nenhum familiar se interessa em levar o negócio quando ela não puder mais trabalhar.

Junto com seu amigo de longa data, o poeta Patativa, levou para o mundo a força da tradição de um lugar pequeno, pacato, mas com figuras, histórias e sabores que fazem do município um ponto de destaque no mundo. Viva Assaré! Viva o Cariri!

Felipe Azevedo/Agência Miséria

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