sexta-feira, 7 de abril de 2017

MUNDO Guerra na Síria: da repressão a manifestações populares ao ataque americano contra Assad. Conflito já dura seis anos e matou centenas de milhares de pessoas.


Por G1*

Combatente da brigada Failaq al-Rahman faz disparos a partir de distrito dominado pelos rebeldes na região leste de Damasco, na Síria (Foto: Amer Almohibany / AFP)

O conflito sírio teve início em 15 de março de 2011 com protestos pacíficos que foram reprimidos com violência e não tardaram em se transformar em uma insurreição contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Com o passar do tempo, o conflito se tornou cada vez mais complexo, com o envolvimento de extremistas islâmicos e a intervenção de potências regionais e internacionais. Nesta quinta (7), os EUA, sob o comando de Donald Trump, lançaram seu primeiro ataque direto contra o regime de Bashar Al-Assad, bombardeando a base aérea de onde teria partido o ataque químico sobre uma cidade na região de Idlib.

Em seis anos, a guerra fez mais de 400 mil mortos e deslocou outros 4,5 milhões, segundo estimativa da ONU. Relembre os principais fatos que levaram a Síria ao estado atual:

Revolta e repressão

Manifestantes enterram vítimas da repressão policial na cidade síria de Deraa, em 2011 (Foto: AP )

Em 15 de março de 2011, em Damasco, manifestações por "uma Síria sem tirania". Violenta repressão dos protestos na capital e em Deraa, berço da rebelião no sul do país. O regime denuncia uma "rebelião armada de grupos salafistas".

Em 23 de março, a repressão em Deraa deixa pelo menos 100 mortos, segundo testemunhas e ativistas de direitos humanos. Os protestos haviam começado com a prisão de estudantes suspeitos de terem feito pichações.

Em abril, a contestação se estende e se radicaliza, com apelos à queda do regime de Bashar Al-Assad, cuja família governa o país com mão de ferro há 40 anos.

Em julho, um coronel refugiado na Turquia cria o Exército Sírio Livre (ESL), integrado principalmente por civis e desertores. Grupos de tendência islamita aderam à rebelião.

A aviação, âncora do regime

Carro atingido por bombardeio em Aleppo, segunda principal cidade síria, nesta segunda-feira (1º) (Foto: AP )

Em 1º de março de 2012, o exército toma o bairro de Baba Amr, reduto da rebelião em Homs (centro), após um mês de conflitos e bombardeios, com centenas de mortos, segundo organizações não governamentais.

Em 17 de julho, o ESL lança a batalha de Damasco. O governo mantém o controle da capital, mas algumas periferias passam ao controle rebelde.

Em agosto, entram em ação as armas pesadas, entre elas aviões bombardeiros.

E a partir de 2013, helicópteros e aviões do regime passam a lançar de forma regular barris de explosivos contra os bairros rebeldes no país.

Irã e Hezbollah no jogo

Em 14 de fevereiro, os Guardiões da Revolução, força de elite do regime iraniano, anunciam a morte de um de seus comandantes pelos rebeldes sírios. O chefe dos Guardiões já havia admitido em setembro que tinha enviado "assessores" militares à Síria.

Em abril de 2013, o chefe do Hezbollah libanês, aliado do Irã, reconhece o envolvimento de seus combatentes ao lado do regime. O Irã xiita é o principal aliado do regime de Assad.

Armas químicas

Em 21 de agosto, o regime lança ofensivas contra duas zonas controladas pelos rebeldes perto de Damasco. A oposição e os países ocidentais acusam o regime de ter feito centenas de vítimas com gases tóxicos.

Os Estados Unidos evocam um número de ao menos 1.429 mortos, incluindo 426 crianças.

Em setembro, um acordo entre Rússia e Estados Unidos para desmantelar o arsenal químico sírio antes de meados de 2014 freia um iminente bombardeio norte-americano em resposta aos ataques com gases tóxicos.

Crescimento dos extremistas islâmicos

Jihadistas do Estado Islâmico exibem suas armas e bandeiras do grupo em comboio em uma estrada de Raqqa, na Síria, em maio de 2015 (Foto: Militant website via AP)

Em 2014, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) assume o controle de vastas regiões no norte do país, eclipsando a rebelião. Raqqa se torna seu reduto.

Desde 2013, extremistas islâmicos, principalmente da Frente al-Nusra (posteriormente rebatizada de Fateh al-Sham), reforçaram sua presença no norte.

Ataques internacionais

Em setembro de 2014, Barack Obama estabelece uma coalizão internacional contra o EI.

Os curdos da Síria, que desde 2013 estabeleceram uma administração autônoma em zonas do norte do país, assumem o controle, com o apoio dos ataques da coalizão, regiões estratégicas das mãos do EI, incluindo Kobane, em 2015.

Moscou socorre Damasco

Mulheres caminham em rua de Aleppo no dia 9 de março de 2017 diante de poster dos presidentes da Síria, Bashar al-Assad, e Rússia, Vladimir Putin; controle da cidade foi retomado em dezembro de 2016 (Foto: JOSEPH EID / AFP)

Em 30 de setembro de 2015, a Rússia inicia uma campanha de ataques aéreos, afirmando visar grupos "terroristas", incluindo o EI.

Mas os rebeldes e o Ocidente acusam Moscou de atacar os grupos rebeldes, principalmente moderados.

Esses ataques ajudam o regime, então em grande dificuldades, a recuperar terreno.

Intervenção turca

Em 24 de outubro de 2016, a Turquia, que apoia a rebelião, lança uma operação do outro lado de sua fronteira para expulsar o EI, mas também as milícias curdas.

Retomada de Aleppo

Sírio dirige em meio a escombro de prédios no bairro de Aghiour, em Aleppo (Foto: Joseph Eid/AFP)

Em 22 de dezembro de 2016, após um cerco sufocante aos bairros rebeldes de Aleppo e uma ofensiva devastadora, o regime reassume o controle total da segunda maior cidade do país. Milhares de rebeldes e civis são evacuados sob um acordo patrocinado pelo Irã, Rússia e Turquia.

Em 30 de dezembro, um cessar-fogo entra em vigor, em virtude de um acordo russo-turco, sem os Estados Unidos.

Radicais pressionados

Raqqa, principal reduto do EI na Síria, passa a ser visado a partir de novembro de 2016 por uma ofensiva de uma aliança curo-árabe apoiada por Washington, as Forças Democráticas Sírias (FDS). A Turquia, hostil aos curdos, opõem-se a retomada de de Raqa pelas FDS. O regime sírio também anunciar que a retomada de Raqa é sua prioridade.

Novo ataque químico

Homem socorre criança após ataque químico em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (4) (Foto: Edlib Media Center, via AP)

Em 4 de abril, um bombardeio aéreo libera "gás tóxico" na província de Idlib, no norte da Síria, matando mais de 80 pessoas. As potências ocidentais acusam Assad de ter comandado o ataque. O Conselho de Segurança da ONU não consegue aprovar um texto contra o regime sírio porque a Rússia se opõe.

Resposta americana

Embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, exibe fotos de vítimas de ataque químico na Síria (Foto: Bebeto Matthews/AP)

Três dias depois, diante da falta de resposta conjunta da ONU, Donald Trump ordena um bombardeio à base aérea de Al Shayrat, perto de Homs, tendo como alvo, segundo Washington, “aeronaves, abrigos de aviões, áreas de armazenamento de combustível, logística e munição, sistema de defesa aérea e radares”.

Posições na guerra da Síria (Foto: Arte G1)

*Com informações da France Presse.

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