sábado, 8 de abril de 2017

QUIXADÁ DISCOVERY Professores criam game em um ambiente cultural real. No game, baseado em fatos reais, o desafio é encontrar os óculos da escritora, furtado em 2013 da sua estátua.


O Memorial Rachel de Queiroz, encravado num dos monólitos de Quixadá
( Fotos: Alex Pimentel )

 por Alex Pimentel - Colaborador


O Memorial é um espaço cultural criado especificamente para homenagear um dos principais nomes da literatura nacional em todos os tempos, a escritora quixadaense Rachel de Queiroz

Quixadá. A ideia surgiu há seis anos, quando os professores Ronaldo Soares e Cícero de Freitas resolveram criar um jogo virtual, um game, com características tipicamente locais. O lugar escolhido foi onde os esportes de aventura costumeiramente afloram, entre os monólitos de Quixadá. Mas se em matéria de esporte a cidade conquista muitos adeptos, na cultura não é bem assim. Muitos nem conhecem um interessante espaço num pequeno chalé, encravado sobre um desses monólitos, no Centro da cidade, o Memorial Rachel de Queiroz.

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No game, baseado em fatos reais, que recebe o título "Quixadá Discovery - O mistério do óculos", o desafio é encontrar os óculos da escritora, furtado em janeiro de 2013 da sua estátua, na Praça da Cultura, na época motivo de polêmica na cidade. O jogador incorpora uma detetive virtual e passa a caminhar até o Memorial Rachel de Queiroz, um espaço cultural criado especificamente para homenageá-la. A estátua fica ao lado do Memorial. Os óculos reais apareceram, mas o desafio continua.

Durante o game, o participante encontra diversas surpresas. Numa delas, ao abrir gavetas da escritora, encontra as obras literárias pertencentes ao seu acervo. Em cada objeto do seu relicário pessoal, como a máquina de datilografar preferida, onde escrevia suas crônicas, é possível observar informações detalhadas. Para conhecer muitas outras surpresas é necessário, entretanto, enfrentar os desafios do jogo virtual.

Para os dois idealizadores, os desafios do game também são a oportunidade para o público conhecer melhor a história da escritora dos romances "O Quinze", "As três Marias" dentre outras de suas obras literárias.

Ao mesmo tempo, é possível passear por dentro do Chalé da Pedra, uma exótica edificação erguida sobre um dos monólitos da cidade, onde o Memorial foi montado. Agora, o espaço é aberto diariamente. Antes, todavia, era muito difícil encontrar as portas e janelas do espaço cultural abertas.

Outro problema são os 38 degraus até a porta do Memorial. Cadeirantes, portadores de outras necessidades especiais e os mais velhos têm dificuldade de chegar até lá. O imóvel também é muito apertado. Não dá para uma cadeira de rodas circular entre os vãos. Entretanto, o jogo torna a visita possível, como ocorre com quem quer conhecer o Museu do Louvre e não tem dinheiro para viajar até a França, ressaltam.

Desafio

Para enriquecer ainda mais a cultura local o desafio virtual continua no Centro Cultural da cidade, ao lado do Chalé da Pedra. "Um bom jogador precisa sempre reconhecer todo o terreno à sua volta. Quem acaba entrando nesse outro ambiente encontra e pode apreciar obras plásticas de alguns dos pintores da nossa terra, como Antônio Izidoro, Waldizar Viana, do fotógrafo Emílio Marrul e do meu amigo Ronaldo Soares, um talento em artes de pirogravura", revela Cícero de Freitas.

O "Quixadá Discovery" está em fase final de produção. O projeto foi inscrito em um Edital da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), na categoria audiovisual. Acreditando na captação do recurso estadual, os autores pretendem finalizar o game e distribuí-lo nas escolas. Todavia, se algum amante da cultura ou empresário visionário estiver interessado em patrocinar o projeto, a ajuda será bem vinda. A dupla garante que tem capacidade de produzir games tão bons quanto os norte-americanos e japoneses, detentores do mercado mundial.

Financeiro

Para a dupla, o único desafio com dificuldade de enfrentar é o financeiro. Ronaldo Soares é regente e professor de Música. O salário é suficiente apenas para sustentar a família. Os desafios da vida o limitaram a concluir apenas o ensino médio. Autodidata, apreendeu sozinho a programar videogames.

Primeiramente, foi necessário dominar a língua inglesa. Atualmente, todos os programas e plataformas para criação dos jogos são nessa linguagem. Também precisou aprender desenho em 3D. Os pais haviam lhe presenteado com o essencial, sua inteligência, a educação escolar, a leitura e, principalmente, a força de vontade.

O desafio para ele surgiu quando montou o seu primeiro empreendimento, uma locadora de videogame. Sua inquietude o levou a procurar desvendar o mistério dos bytes das programações.

Quem sabe um dia estaria produzindo os seus próprios jogos. Quando estava concluindo o primeiro deles, acidentalmente, seu filho deletou os arquivos do HD. O recomeço foi mais fácil. O difícil é trabalhar com os equipamentos obsoletos que consegui adquirir, desabafa.

Pesquisas

O sócio, Cícero de Freitas, é formado em História e atualmente está cursando Direito. A trilha pedagógica do game foi elaborada por ele. As pesquisas também. Como o amigo, tem recursos financeiros limitados e obrigações familiares. Por esses motivos está à procura de patrocinadores para tornar o game ainda mais atrativo.

O mesmo modelo pode ser aplicado nos museus das cidades e até nas escolas, públicas e particulares. Depende apenas do interesse dos prefeitos e dos diretores das unidades de ensino. "Quem sabe, um dia Quixadá se torne referência nacional nessa área", completa.

© Diário do Nordeste

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