terça-feira, 25 de abril de 2017

VÍRUS CIRCULANTE Pesquisas sobre sorotipos de dengue têm resultados falhos. Conhecer as tipologias dos vírus circulantes na região é importante para se ter um quadro exato sobre a doença.


Independentemente das pesquisas, a prevenção é a melhor medida a ser tomada para enfrentar o Aedes aegypti, transmissor da dengue
( Foto: Cid Barbosa )

por Ranniery Melo - Repórter


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As pesquisas laboratoriais em relação às manifestações da dengue no Ceará ainda apresentam resultados insuficientes em relação aos sorotipos virais responsáveis pelo desencadeamento da doença. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), no último dia 20 de abril, até então, das 251 amostras coletadas para a análise viral, foi isolado somente o sorotipo DENV-1, em 8 das amostras, mostrando que o vírus especificado circula nos municípios de Alto Santo, Aquiraz, Fortaleza, Iracema e Maranguape.

A dengue pode ser desencadeada por quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Clinicamente falando, todos são capazes de gerar os mesmos quadros, desde as formas mais brandas da doença, até as mais severas. Contudo, o próprio boletim do órgão estadual ressalta que a baixa tipificação viral observada nas pesquisas implementadas durante este ano comprovam a necessidade de melhorias da informação sobre a distribuição do sorotipo predominante.

De acordo com o documento, é de vital importância o monitoramento da circulação viral, cujo objetivo de identificar de forma permanente os sorotipos que circulam no Ceará.

Avanço

Questionada sobre o fato de não termos ainda resultados mais relevantes sobre os tipos de vírus da dengue que circulam no Ceará, a Sesa, através da assessoria de imprensa, esclareceu que "a vigilância virológica, realizada pelo Laboratório Central (Lacen), da rede estadual, foi implantada no Ceará em 1998, representando um grande avanço para a vigilância de dengue em nosso Estado. No período de 2001 a 2017 foram isolados os quatro sorotipos".

Segundo ainda a assessoria, "observa-se uma circulação importante do sorotipo DENV-3 nos anos de 2003 a 2007. Nos anos de 2008 e 2009, o DENV-2 circulou de forma predominante. Em 2010 e 2011, o sorotipo DENV-1 voltou a circular de forma importante.

Em 2011, o sorotipo DENV-4 foi introduzido e isolado em apenas 0,9% das amostras. Em 2013, o sorotipo DENV-4 predominou com mais de 96,7% dos isolamentos. Em 2014, foram isolados o DENV1 em 54,2%, DENV4 em 43,2% e o DENV3 em 2,6 %. Nos anos seguinte temos predominância da circulação do DENV1 no Estado".

Em relação ao que falta para o avanço das pesquisas, a Sesa diz que "a pesquisa para detecção dos sorotipos circulantes da dengue acontece desde 1998". Explica que, "no que se refere ao tratamento, os resultados de exames específicos para diagnóstico das Arboviroses (Dengue, Chikungunya e Zika) não deverão estar atrelados ao manejo clínico dos casos suspeitos".

Conhecer as tipologias dos vírus circulantes na região é importante para se ter um quadro exato sobre a situação enfrentada em relação à doença, conforme explica o médico infectologista Anastácio Queiroz. "Primeiro temos que saber se está circulando a dengue. Daí, a identificação é para que você saiba o que está acontecendo", afirma.

Tempo

Segundo ele, os motivos pelos quais poucas amostras podem ter manifestado a carga viral da dengue é o tempo em que foram coletadas, podendo ter sido já depois do período de circulação do vírus no organismo da pessoa analisada. "Na realidade, é possível que aquele paciente não estivesse mais em período de viremia, ou não era dengue", coloca.

Os quatro sorotipos de vírus da dengue já circularam no Ceará, contudo, os ciclos de aparecimento são diferentes. "Sempre um dos sorotipos circula com maior intensidade e poucas vezes há mais de um ao mesmo tempo. Nós os consideramos todos como iguais no sentido da manifestação da doença. Às vezes se tem manifestações um pouco diferentes, mas depende também da pessoa infectada. Como no Ceará temos um percentual muito alto da população que já teve dengue e, se for contaminada por um outro sorotipo, as chances de se ter uma doença mais severa são maiores", esclarece Anastácio Queiroz.

Plano

Ainda ontem, a Sesa tornou público o Plano Estadual de Vigilância e Controle das Arboviroses, que abrange as infecções por dengue, zika e chikungunya. O documento foi lançado em novembro de 2016, delegando as responsabilidades estaduais, regionais e municipais no que diz respeito às ações de vigilância epidemiológica, vigilância laboratorial e controle vetorial das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Além disso, a Sesa publicou ainda nova nota técnica para o manejo dos casos suspeitos das arboviroses, chamando atenção para que os médicos e profissionais de saúde a não prescreverem corticoide, anti-inflamatórios não esteroides ou aspirina no caso de suspeita de alguma das doenças na fase aguda.

Neste ano, já foram confirmados até o presente momento 4.052 casos de dengue no Ceará, além de dois óbitos. Em relação às outras arboviroses, já são 6.217 pacientes confirmados com a febre chikungunya, com uma morte registrada em Fortaleza. Já a zika infectou 54 pessoas em quatro municípios cearenses, Caucaia, Independência, Fortaleza e Brejo Santo.

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