terça-feira, 4 de abril de 2017

VOCÊ SE LEMBRA: NOVE ANOS SEM O HE-MAN DO NORDESTE




Muitos Cearenses se perguntam sobre o paradeiro de um dos mais místicos personagens circenses que já desembarcaram no Vale do Jaguaribe. O Homem alto, louro de porte físico mediano conquistou plateias com sua coragem e destemor ao enfrentar homens e mulheres nos ringues improvisados de seu circo. Há mais de sete anos o circo do He - Man não desembarca na Região Jaguaribana diante disso fica a curiosidade sobre por onde anda o He - Man do Nordeste?

Nada mais lamentável do que vos informar que o mesmo já não encontra - se presente entre nós, como você verá na matéria abaixo, Lenine Alves Batista, vulgo He - Man foi assassinado a bala no Sertão de Pernambuco, para todos os fãs e admirados deste grande personagem circense, só resta lembranças e esta matéria que fala sobre o seu triste fim, confiram;

Nos anos 90 apareceu na cidade do Crato o circo do He-Man, protagonizado pelo paraguaio, naturalizado alagoano que desafiava a plateia para lutar num ringue improvisado, onde deveria ser um picadeiro. O lutador Lenine Alves Baptista, mais conhecido como He-Man, o Gigante Loiro das Américas ou He-Man do Nordeste, que encantava o publico todas as noites com o circo lotado.

Na época o programa Aqui Agora, do SBT, o repórter Roberto Bulhões fez três matérias com ele, lutando com mais de 30 pessoas e até com mulheres. No dia de ontem, vasculhando a internet a procura de saber o paradeiro do He-Man nordestino, a triste noticia de sua morte. He-Man foi covardemente assassinado pelo sogro, na cidade de Ouricuri, em Pernambuco, em janeiro de 2009.

Segundo conseguimos apurar, He-Man chegou à cidade de Ouricuri no dia 26 de dezembro de 2008 para visitar os filhos que residem com a mãe, Aparecida (Cida). O assassino de He-Man, segundo a polícia pernambucana, é seu sogro Manoel Lacerda da Silva, que deu 5 tiros na vitima, todos pelas costas. Após o primeiro disparo, que atingiu a cabeça, He-Man ainda tentou fugir, mas levou outros quatro.

Forte, como todos os grandes lutadores, o gigante ainda correu até o lote vizinho e caiu. Foi levado consciente ao hospital do município e logo depois transferido para Petrolina, onde ficou hospitalizado até o dia 08 de janeiro de 2009, quando veio a óbito. Seu sepultamento aconteceu no dia 11, na cidade de Sobradinho, no Distrito Federal, onde vive sua outra família.

Surgido nas páginas dos quadrinhos norte-americanos, esse herói remonta os tempos dos castelos e lutas da mitologia nórdica. Porém o tipo circense, que passou pelas noites de Crato, na década de 90, nascera no Paraguai, filho de uma índia guarani com um pai cigano de origem soviética, de nome Lenine Alves Baptista.

Avistei-o de primeira vez quando ele, sentado no capuz de um velho Opala, circulava pelo Conjunto Novo Crato, onde morei dez anos, anunciando as sessões noturnas do circo que levava o seu nome, montado na área da RFFSA.

Louro, meio calvo no início da cabeleira deixava os cabelos grandes escorrerem para trás e cair aos ombros musculosos. Rosto anguloso e avermelhado, guardava no semblante algo da ingenuidade infantil, num ar que se somava a corpanzil bruto, longo, 1,80m de altura, 95kg, 57 anos de idade. Ali se escondia o lutador experiente e bravateiro dos sopapos da noite.

Em trajes exíguos, calção de pele de animal, pés descalços, desfilava pelos bairros e centro da cidade à frente do séquito de atores, convidando a população para o espetáculo onde desafiariam num enfrentamento coletivo, turmas inteiras de adversários, todos de cada vez. Grupos de lutadores de academias e bairros periféricos aceitavam o confronto e punham-se no rinque, em prova de habilidade e força, no gênero de luta livre, vale tudo aos moldes das feiras medievais e arenas greco-romanas.

De comum, saíam diversos carretos aos hospitais, a cada apresentação. Eram adversários de ossos quebrados, machucados, cheios de escoriações, hematomas, luxações... Segundo consta, no que restou da memória desse tempo, ambulância até permanecia lá fora, de plantão para atender à demanda em consequência das pegadas do gigante louro das Américas; é pau, é pancada, é madeira de dar em doido, bradado aos quatro ventos no som do carro votante, nos fins de tarde, diante dos olhos atentos de crianças e adultos.

Nesse período, eu colaborava com Sérgio e Josane Ribeiro na revista Ceará New, vinda daí a ideia de entrevistarmos irmos entrevistá-lo, o que se publicou na edição dos meses de março/abril de 1997. Aquele artista mambembe que demoraria semanas com o Circo do He-Man em terras do Cariri, nos receberia com natural interesse. E soubemos detalhes da sua história e investigamos aspectos da sua personalidade.

O que causou maior impressão naquela figura, fruto da mitologia pop do He-Man dos anos 90, redivivo no mundo interiorano, foi a coragem de afrontar pelotões e mais pelotões de oponentes num tempo só, sem, contudo, sofrer qualquer revés durante o período em que permanecera nos ringues.

As lutas eram acompanhadas por bom público entusiasmado e fiel, cujos gritos de longe se ouviam, das casas cheias, e não faltava quem registrasse em vídeo o desenrolar das cenas, para oferecer, em fitas VHS, através dos vendedores ambulantes nas calçadas do comércio central, no dia seguinte.

Com Informações Agencia Ibiapina  E Blog Do Crato