quinta-feira, 25 de maio de 2017

CRIME FILMADO Jovem causa morte de motoqueiro quando tentava atropelar travestis. Está em poder da Polícia Civil imagens captadas por uma câmera residencial que mostram quando um motocicleta é morto por um veículo que trafegava em alta velocidade e na contra-mão de direção por um carro de luxo cujo guiador estariam perseguido e tentando atropelas dois travestis.

Após atropelar e matar o motoqueiro, o guiador abandonou o carro em um supermercado

Victor de Carvalho Alves fugiu do local e dias depois prestou um B.O. por tentativa de assalto

VEJA VÍDEO DO ACIDENTE:

Está em poder da Polícia Civil imagens captadas por uma câmera residencial que mostram quando um motocicleta é morto por um veículo que trafegava em alta velocidade e na contra-mão de direção por um carro de luxo cujo guiador estariam perseguido e tentando atropelas dois travestis. As cenas mostram a premeditação de um crime que se transformou em tragédia para a família da vítima, um homicídio doloso no trânsito.

O fato ocorreu no começo da manhã do último dia 7 de abril, no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza. Era por volta de 5h45 quando o veículo Azera, de placas HUG-8319 (CE), segue em alta velocidade pela faixa contrária da que deveria trafegar (contra-mão) na Rua Antônio Augusto, proximidades do cruzamento com a Rua Adolfo Siqueira, e colhe violentamente uma motocicleta que transitava em sua faixa correta. Nas cenas captadas, o piloto da moto é colhido fatalmente, sendo arremessado a vários metros de altura devido ao impacto e cai na calçada.

As imagens mostram, ainda, que o motorista atropelador sequer reduz a velocidade do automóvel e foge rapidamente do local do desastre, deixando a vítima gravemente ferida e a motocicleta completamente destruída. Outra câmera mostra que, após a colisão, o guiador do veículo abandona o carro no estacionamento de um supermercado próximo e vai embora tranquilamente.

A vítima fatal do desastre era Auricélio Lima Vieira, 55 anos, que pilotava sua motocicleta de placas HUG-8319 (CE) e, naquele momento, saía de casa para vender tapiocas, atividade que lhe garantia o sustento da família. Gravemente ferido, ele ainda foi levado para o Instituto Doutor José Frota, onde morreu poucas horas depois na Emergência.

Fuga e versão do guiador

Após cometer o crime de trânsito, o guiador desapareceu, mas foi identificado posteriormente como sendo Victor de Carvalho Alves, que, momentos antes de causar o desastre teria perseguido e tentado atropelar dois travestis com os quais estava acompanhando e discutiu por motivos prováveis de não ter pago o “programa”.

Quatro dias após o fato (dia 11 de abril), Victor compareceu ao 4º DP e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) onde narrou ter sido vítima de uma tentativa de assalto pelos travestis a quem denominou de “amigas” de uma garota chamada Jéssica que ele conheceu numa boate, na Praia de Iracema,  na madrugada daquele mesmo dia e deu carona as três. Disse ainda que, após deixar Jéssica em casa, seguiu com as outras duas jovens e estas teriam tentado assaltá-lo. Na fuga, teria atopelado o motociclista.

As imagens dos momentos que antecederam o crime de trânsito sugerem esta interpretação e o caso está sendo objeto de investigação policial no 4º DP (Pio XII), onde foi instaurado inquérito sobre a presidência do delegado José Munguba Neto.

Um laudo pericial  particular anexado aos autos e produzido pelo perito criminal Ranvier Feitosa Aragão, atesta que o  crime ocorreu por conta da atitude do guiador do automóvel na sua conduta na direção do veículo. “As atitudes do condutor do automóvel foram de ataque e de perseguição continuada, facilmente  comprovadas pela filmagem, que registra a marcha á ré, objetivando alcançar a “primeira amiga” (travesti) e pelo regresso ao local dos episódios em desabalada carreira, ocasião na qual colidiu com a motocicleta da inditosa vítima”, afirma  Feitosa.

E concluiu que a causa da colisão foi “a conduta imprópria do condutor do automóvel, por conduzir o veículo pela contra-mão de direção, animado de excessiva velocidade e, sobretudo, por conduta temerária, atitude errada e perigosa, por assumir riscos desnecessariamente”.

Em nome da família da vítima, o caso está sendo acompanhado pelo advogado Artur Feitosa Arrais Martins.  

Jornalista Fernando Ribeiro Copyright 2016

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