sábado, 20 de maio de 2017

EM 30 DIAS Registrados 19 duplos e triplos homicídios no CE. Ocorrências de mortes múltiplas se tornam comuns no Estado. Periferias são principais cenários para os crimes.


O registro de duplo homicídio mais recente foi em um frigorífico, no bairro Autran Nunes, na última sexta-feira (19). Os suspeitos fugiram
( Foto: Nah Jereissati )


Segundo a Polícia, a ocorrência do Vicente Pinzón, em que duas pessoas morreram, se deu por conta de uma briga pelo tráfico
( Foto: Naval Sarmento )

As ações violentas se agravam em todo o Estado do Ceará. Do dia 19 de abril de 2017 ao dia 19 de maio de 2017, os registros disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) mostram 17 duplos e dois triplos homicídios. A maioria dos crimes não foi solucionada, e os responsáveis pelas mortes seguem sem, sequer, serem identificados.

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Só neste mês de maio já foram 11 ocorrências com múltiplas mortes: 10 duplos e um triplo homicídio. O registro mais recente aconteceu, na manhã de sexta-feira (19), no Autran Nunes.

Conforme informações do tenente Aldemir, a dupla execução aconteceu por volta das 8 horas, em um frigorífico. Dois homens encapuzados chegaram em um Volkswagen Polo, de placas não identificadas, entraram no estabelecimento, localizado na Rua Porto Alegre, e efetuaram diversos disparos.

Um dos tiros atingiu Santiago da Silva Pereira, de 32 anos, apontado por testemunhas como dono do frigorífico. Conforme a população, a vítima havia sido presa em janeiro deste ano por porte ilegal de arma.

A outra vítima da execução foi identificada como Alex Vidal Andrade do Nascimento, de 27 anos. Nascimento era um dos funcionários da empresa e chegou a ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que funciona no bairro, mas não resistiu aos ferimentos. Alex Vidal não tinha antecedentes criminais.

A movimentação do comércio era intensa, no momento em que os criminosos chegaram. Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, afirmou que a ação "foi rápida e teve muitos tiros". Segundo informações da Polícia Civil, o estabelecimento funcionava no local há cerca de seis anos e o dono era bastante conhecido.

Equipes da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e da Polícia Militar estiveram no local e realizaram os primeiros levantamentos. Uma fonte da Polícia Civil afirmou que a motivação do crime está sendo elucidada e que será divulgada posteriormente, para não atrapalhar as investigações. Dois homens são suspeitos da ação. Ambos fugiram e ainda não foram localizados.

Recorrente

A execução dupla do Autran Nunes foi a quarta só nesta semana. A primeira ocorreu no último domingo (14), na Rua do Grupo, em Caucaia. Foram mortas duas pessoas identificadas apenas como 'Francisco' e 'Maria'.

Um dia depois, dois corpos foram encontrados com as cabeçadas decepadas, na Barra do Ceará. Câmeras de segurança do entorno do local mostraram que os cadáveres sem as cabeças foram postos dentro de um carrinho de lixo por volta da 0h30, ambos com as mãos amarradas. O homem que levou os corpos ainda retornou ao local às 2h30 acompanhado por outras duas pessoas e retirou os papelões que cobriam as vítimas, no intuito de exibir a barbárie.

Na quarta-feira (17), aconteceu o terceiro duplo homicídio da semana. Este, conforme a PM, se deu devido a um confronto entre criminosos da Comunidade das Placas e da Comunidade Lagoa do Coração, no bairro Vicente Pinzón. O tiroteio que terminou com dois mortos e um ferido foi consequência de uma briga por território para a atuação no tráfico de drogas.

Pelos endereços onde costumam acontecer as matanças, percebe-se que os crimes se dão principalmente em áreas periféricas, tanto na Capital, quanto no Interior. As Polícias Civil e Militar costumam relacionar as múltiplas execuções aos conflitos entre facções.

Uma fonte da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que nem todas as execuções têm ligações com o tráfico, mas vários tiroteios que têm deixado mais de uma vítima são ordenados por facções. "Eles estão desfazendo alianças que já eram estabelecidas há muito tempo e isto está causando a maioria dessas mortes. Tem muita dívida de droga sendo cobrada e muito território sendo disputado", explicou.

A reportagem tentou entrar em contato com o diretor da DHPP, delegado Leonardo Barreto, para obter detalhes sobre as investigações dos casos, mas as ligações não foram atendidas. Até o fechamento desta edição, a SSPDS também não havia respondido a demanda feita às 17h, sobre quais medidas foram tomadas para reduzir os índices crescentes de mortes violentas.

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