sexta-feira, 26 de maio de 2017

EPIDEMIA Secretaria confirma 14 mortes por chikungunya no Ceará nos cinco meses de 2017. Em maio, 78 dos 184 municípios cearenses apresentam nível epidêmico da doença, segundo Boletim Epidemiológico da Sesa.

Aedes Aegypti transmite a dengue, febre amarela, zika e chikungunya (Foto: Divulgação)

Em 2017, o Ceará já tem 20.515 casos de chikungunya confirmados de acordo com Boletim Epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (26), pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa). Dos casos confirmados, 13.428 estão em Fortaleza e 66,9% do total concentraram-se nas faixas etárias entre 20 e 59 anos. Catorze pessoas morreram em consequência da doença em Fortaleza (11), Beberibe (1), Caucaia (1) e Pacajus (1). Em todo o ano de 2016, foram registrados no estado 31.482 casos da doença.

O boletim mostra um aumento crescente no número de municípios com nível epidêmico da enfermidade. Em maio, 78 dos 184 municípios cearenses estão nesta situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera nível epidêmico quando uma cidade ou região tem mais de 300 casos da doença para cada 100 mil habitantes. A taxa de incidência dos casos suspeitos de chikungunya no Ceará é de 624,4 casos por 100 mil habitantes.

Comparando com os meses anteriores, o boletim mostra que no mês de março, 16 municípios apresentavam altas incidências de chikungunya, com um incremento de 433,3% no número de municípios com altas incidências em relação a fevereiro, quando apenas três municípios apresentavam mais de 300 casos por 100 mil habitantes. De abril para maio, o incremento foi de 52,9%, passando de 51 a 78 municípios com incidências acima das apontadas pela OMS como parâmetros para epidemia.

Chikungunya

O termo chikungunya vem de um dialeto da Tanzânia, na África, e significa algo como “aquele que se dobra”. O termo surgiu pelo fato de os pacientes acometidos pela doença terem intensas dores articulares, que fazem com que o tronco fique sempre arqueado. Ao contrário do que acontece com a dengue, não existe uma forma hemorrágica da doença e é raro surgirem complicações graves, embora a artrite possa continuar ativa por muito tempo.

Transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, em adultos a chikungunya apresenta sintomas como febre de início súbito maior de 38,5°C; dores intensas e inchaços nas articulações com início agudo, sem outra causa definida e lesões na pele. Dor de cabeça, dor muscular, cansaço, diarreia, vômitos, conjuntivite, dor de garganta e dor abdominal também são sintomas comuns na fase inicial da doença, segundo especialistas.

O período de incubação da chikungunya no ser humano pode ser de até duas semanas, mas, na maioria dos casos, a doença surge entre três a sete dias após a pessoa ter sido picada pelo mosquito transmissor. Cerca de 80% dos pacientes contaminados desenvolvem os sintomas da doença, segundo estudos.

A fase aguda da febre chikungunya começa com uma febre alta de início súbito, geralmente em torno de 40ºC, associada a mal-estar e dor em várias articulações. As dores articulares costumam surgir nas primeiras 48 horas e acometem cerca de 90% dos pacientes com chikungunya. As dores surgem no corpo inteiro, mas os locais mais afetados costumam ser as mãos, punhos, pés e tornozelos. Intensa dor lombar também é comum.

O paciente pode ter dor em mais de 10 grupos articulares ao mesmo tempo, o que o deixa com incapacidade para a realização de atividades simples e corriqueiras, como pentear os cabelos e levar um alimento à boca. Esse é o sintoma mais característico da enfermidade: dor forte nas articulações, tão forte que chega a impedir os movimentos e pode perdurar por meses depois que a febre vai embora.

A fase aguda dura de três a sete dias, quando os sintomas começam a desaparecer. Mas, segundo especialistas, em cerca de 80% dos casos o paciente entra em uma fase chamada subaguda, que se caracteriza pela continuidade ou até aumento das dores articulares. Apesar de não ter mais febre, a pessoa pode permanecer semanas com poliartralgia. Se as dores articulares durarem mais de três meses, o paciente entrou na fase crônica da doença, que pode durar por até três anos.

Exames

Existem atualmente dois exames específicos que confirmam a suspeita de chikungunya. São eles a sorologia convencional e o PCR, que identifica o material genético do vírus. Estes exames não estão disponíveis em todos os prontos-socorros do Sistema Único de Saúde (SUS) e para demais hospitais não são cobertos pelo convênio para o atendimento em Pronto Socorro, apenas sob internação do paciente ou particular.

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