domingo, 28 de maio de 2017

FESTA DE SANTO ANTÔNIO Conheça a história da Cachaça do Vigário no Pau da Bandeira de Barbalha. É Festa do Pau da Bandeira e em Barbalha num cabe mais ninguém. Gente de toda parte do país enche as ruas já enfeitadas da cidade pra festejar os trocadilhos do pau de Santo Antônio. Eles nunca ficam velhos, nunca se renovam. A tradição barbalhense já se perdeu de vista na idade; uns dizem que há mais de 100 anos já se fazia, outros contam 150 anos desde que o primeiro pau foi levantado.

Festa de Santo Antônio
Felipe Azevedo/Agência Miséria

 


Entre os personagens, tradições, cores e bandeiras que enfeitam Barbalha em maio e junho, está a Cachaça do Vigário. Uma carroça enfeitada passando pela Rua do Vidéo oferecendo doses de aguardente pro povo se aguentar em pé. No começo, a bebida era exclusiva pra quem carregava o pau, mas depois que o pessoal começou a passar da conta, os organizadores preferiram mudar um pouco essa tradição.

Carregador do pau pode beber, sim, mas pouco. Rildo Teles, Capitão do Pau desde 2000, garante que pra levar as 2 toneladas de madeira nos ombros, tem que tomar umazinha. Nada de excesso, a pipa de carvalho cheia de cana hoje serve mais pra turista e moradores que observam o cortejo. Carregador bebe pouco, sua muito.

Federal (de chapéu de palha) está há 28 anos responsável pela distribuição da Cachaça do Vigário (Foto: Reprodução)

A tradicionalíssima Cachaça do Vigário começou lá atrás com uma família que nem com reza achamos alguém que lembrasse o nome. Como há se de esperar de um lugar com costume regrado, apenas uma pessoa foi encarregada por décadas a fazer a distribuição. 

Mas foi há 28 anos quando Federal, um homem alto, negro e muito educado, pediu a um dos organizadores uma pontinha na função, ele também queria fazer a festa do povo e distribuir as doses no copinho. Pois bem, com uma semana foi chamado e comunicado que ele seria o novo condutor da carroça, já que o antigo havia se acidentado. Sorte?

Todo ano é assim. O sol torra, o povo se espreme, mas se olha com atenção e lá está, toda enfeitada de chita, na roda; do pneu até a burra, a carroça com a pipa em cima, cheia de água que não dá pra passarinho.

O sagrado do santo casamenteiro e o profano da cana se juntam, o povo bebe até entornar o copo e pede mais. Federal diz, sorrindo, que todo ano tem que aumentar o tonel "que é pra ver se não fica  ninguém sem beber".  Já ostentando seus mais de 50 anos, o homem garante que nunca botou uma gota de cachaça na boca. 

KARIRI COM K

Uma cachaça produzida em Barbalha mas que só vende em São Paulo. Kariri com K esse ano volta a ser a Cachaça do Vigário. Foi por muitos anos, mas deu lugar a outra marca que, desgostosa, não quer mais patrocinar a festa. 

A bebida, feita pelo empresário barbalhense Antônio Monteiro Garcia desde 1972, tem a receita de seu pai, Xisto Garcia de Sá Barreto e se chamava Cariri com C, à época ainda servida em garrafa de cerveja.

Cariri e Kariri com K, a evolução dos rótulos da tradicional cachaça produzida e engarrafada em barbalha (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)

Na época, Antônio herdou de seu pai a fábrica que não produzia mais do que 4 caixas da bebida por dia. A cana vinha do crato, numa carroça carregada que saía de madrugada pra chegar meio dia em Barbalha.

Aos 84 anos, Antônio Monteiro ainda se empolga lembrando das viagens pra Recife só pra mandar imprimir os rótulos da Cariri com C. Quando passou a engarrafar a cachaça em garrafas de whisky, sentiu a necessidade de mudar o nome da bebida. "Quando eu cheguei em Barbalha com a Kariri com K, foi um sucesso. Todo mundo queria".

Antônio Monteiro ao lado da produção da Kariri com K. Um produto barbalhense, mas que só vende em São Paulo (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)

Beber Kariri com K por aqui? Só no Pau da Bandeira! Toda a produção é vendida pra São Paulo e Brasília. "Por aqui só se bebe cachaça da capital, e muita gente diz que a minha tem o gosto melhor", diz Monteiro. Hoje ele vende cerca de 7 mil caixas por mês e , infelizmente, nenhuma fica por aqui. 

Não se sabe muito bem como é feito o controle de qualidade, o dono da fábrica não toma a bebida, acha forte e não gosta. Então, pra aproveitar e descobrir se essa cana é boa mesmo, só indo pra rua e seguir a carroça da Cachaça do Vigário. Lá vai estar Federal e o seu filho, ainda pequeno, distribuindo e bebida pra quem quiser.

VAGAS ​Oportunidade de Emprego​ ​(Aracati, Limoeiro, Morada Nova e Russas)​ 23/10/2017 2ª Feira

VAGAS ​ Oportunidade de Emprego ​ ​ (Aracati, Limoeiro, Morada Nova e Russas) ​ 23/10/2017   2ª Feira   📅