quinta-feira, 15 de junho de 2017

COM GOVERNO FEDERAL Cunha nega ter negociado silêncio. Ex-presidente da Câmara também disse não ter sido procurado para acordo de delação premiada.


Eduardo Cunha foi levado do Complexo Médico Penal à sede da Polícia Federal, em Curitiba, para prestar depoimento ontem pela manhã
( Foto: Folhapress )

Curitiba. O deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse, ontem, em depoimento à Polícia Federal, que nunca negociou seu silêncio com o governo federal e que nunca foi procurado para fazer acordo de delação premiada.

Cunha prestou depoimento de quase duas horas, na sede da PF em Curitiba, no inquérito que investiga Michel Temer por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

A possibilidade de uma delação apavora o Planalto e a cúpula do PMDB. Homem forte do partido na Câmara, o ex-deputado foi o principal artífice do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e um dos pivôs da delação dos donos da J&F.

O depoimento foi marcado para que Cunha respondesse a 47 das 82 perguntas formuladas pela PF ao presidente.

As perguntas foram formuladas em Brasília e lidas a Cunha pelo delegado Maurício Moscardi Grillo, que conduz o inquérito da Operação Carne Fraca.

Segundo a defesa do ex-presidente da Câmara, Cunha respondeu cerca de 25 dos questionamentos - somente aqueles não relacionados ao processo em que ele é acusado de receber propina por parte de empresas interessadas em sua influência para facilitar empréstimos do FGTS.

Cunha negou conhecer a irmã de Lúcio Funaro, e que se houve uma ação controlada quanto ao dinheiro encontrado com ela é possível "ver para onde se direcionavam as notas". Funaro também prestou depoimento, ontem, à PF, mas em Brasília, onde está preso desde julho do ano passado. Ele negocia um acordo de delação premiada e promete detalhar desvios financeiros praticados pelo PMDB.

Cunha foi levado do Complexo Médico Penal, onde está preso, à sede da Polícia Federal no bairro Santa Cândida em Curitiba. Ele foi condenado a 15 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro por colaborar no esquema de corrupção da Petrobras.

O ministro Edson Fachin, do STF, negou o pedido para adiar o depoimento de Cunha.

Os advogados de Cunha tentaram adiar o depoimento alegando não terem tido acesso à íntegra do inquérito aberto com base na delação da JBS.

© Diário do Nordeste

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