sábado, 24 de junho de 2017

CONVERSA COM TEMER PF conclui que áudio de Joesley não foi editado. Laudo pericial deve ser entregue ao STF na próxima semana, quando Janot deve denunciar o presidente.


Michel Temer teve conversa gravada pelo empresário, em que o peemedebista supostamente dava aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha
( Foto: AFP )

Brasília. A Polícia Federal concluiu que não houve edição na gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer no dia 7 de março no Palácio do Jaburu. A perícia foi finalizada na sexta-feira (23) pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC).

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análise dos peritos identificou mais de 180 interrupções "naturais" no áudio. A perícia indica que o equipamento utilizado pelo empresário da JBS, que fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, possui um dispositivo que pausa automaticamente a gravação em momentos de silêncio e a retoma quando identifica som.

O relatório e o laudo pericial devem ser entregues ao STF (Supremo Tribunal Federal) apenas na segunda-feira (26). Ao todo, os peritos verificaram quatro áudios. A perícia da PF é aguardada com expectativa porque a defesa de Temer questiona a autenticidade das gravações. A Procuradoria-Geral da República terá até a próxima terça-feira (27), para apresentar uma denúncia contra Temer, que precisa ser autorizada pela Câmara dos Deputados para se transformar em um processo no STF.

Obstrução

No pedido de abertura de inquérito enviado ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o presidente deu anuência para a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e seu operador Lucio Funaro, ambos presos. Entre outros elementos, Janot se baseou em parte do diálogo no Jaburu para sustentar que houve obstrução de Justiça.

O procurador-geral afirmou que, na conversa, Temer ouviu de Joesley que o ex-presidente da Câmara dos Deputados estava sendo pago para não falar nada e sobre o assunto respondeu: "tem que manter isso, viu?", o que seria um aval.

A conversa divulgada à imprensa, porém, continha trechos inaudíveis. Após a fala de Temer, Batista afirmou: "Todo mês", o que indica, segundo o empresário afirmou em seu acordo de delação premiada fechada com a PGR, acertos em dinheiro.

Governabilidade

Após defender que o STF deve levar em consideração a governabilidade do País em todas as decisões, o ministro Luiz Fux disse a jornalistas que a tese não significa defender a absolvição de Temer, no processo aberto pelas delações da JBS.

"Tenho a sensação de que isso não vai abalar de forma alguma a governabilidade do País. O processo vai tramitar, as defesas vão ser realizadas, o País está funcionando e vai continuar a funcionar normalmente", disse o magistrado, após dar uma palestra, em São Paulo.

PSDB

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ressaltou, na sexta-feira (23), que o País caminha para uma situação inédita e muito séria: a de ter um presidente da República denunciado por corrupção.

O tucano, mais uma vez, se posicionou contra eventuais diretas-já e citou o teórico italiano Antonio Gramsci, que diz haver situações na política onde o "velho já morreu, mas o jogo não nasceu", referindo-se à ausência de lideranças políticas no cenário brasileiro atual.

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