domingo, 18 de junho de 2017

INVASÕES, ROUBOS E AMEAÇAS Escola suspende aulas após ataques recorrentes. Funcionários contam que a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) já foi expulsa do local pelos suspeitos a pedradas.


Os alunos estão sem aulas por conta da falta de segurança na escola. Um funcionário do local relata que um suspeito já chegou a correr atrás de um a criança da creche e exigiu que ela lhe entregasse seu material escolar
( fotos: Kléber A. Gonçalves )

por Emanoela Campelo de Melo - Repórter


No chão, há pedras grandes espalhadas, que são utilizadas pelos suspeitos para intimidar as vítimas. Da cozinha da escola já foram roubados pelo bando os alimentos da merenda escolar, botijões de gás e o gelágua

Após recorrentes ataques, invasões e ameaças, as aulas na Escola Municipal de Ensino e Instituto Fundamental (Emeif) Joaquim Nogueira, na Rua Padre Perdigão Sampaio, bairro Antônio Bezerra, foram suspensas. Na última quarta-feira (14), durante o turno da tarde, um grupo criminoso invadiu a escola, entrou em salas de aula, intimidou alunos e professores e levou equipamentos do local.

De acordo com funcionários e pais, a permanência no local ficou difícil há, pelo menos, dois meses. Foi quando retiraram a vigilância interna desta Emeif e os infratores perceberam que havia a chance de se apropriar do espaço. "Fechamos as portas antes que algo pior acontecesse. Os invasores estão aqui todos os dias ameaçando. Vamos esperar mais o quê?", disse uma professora, que optou por não se identificar, temendo represálias.

Na última semana, não houve um dia que não fossem praticados crimes dentro da unidade. Da cozinha foram levados os alimentos da merenda escolar, gelágua e botijão de gás. No pátio já não há mais nenhuma lâmpada e ventilador. Segundo os servidores lotados na Joaquim Nogueira, tudo vem sendo roubado por um mesmo bando. A informação é que eles conseguem entrar no local por um buraco aberto nos fundos do prédio, que dá acesso a uma quadra da escola.

No chão, há pedras grandes espalhadas, que são utilizadas pelos suspeitos para intimidar as vítimas. "É um pedaço da escola que não é mais nosso. Eles entram por lá e mandam a gente encerrar as aulas", acrescentou um funcionário.

Dentre os ataques mais recentes, outro servidor da Escola Joaquim Nogueira citou que, na terça-feira (13), um dos bandidos correu atrás de uma criança da creche mandando que ela soltasse a mochila e lhe entregasse o material escolar.

Segundo servidores e familiares dos estudantes, os invasores da escola são moradores da 'Comunidade do Sossego', localizada nos fundos do prédio da instituição de ensino.

Vigilância

Conforme um grupo de professores, a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) esteve na escola diversas vezes, nos últimos dias. Porém, os agentes foram expulsas à pedradas. "Eles vieram a pedido nosso e foram atingidos por pedras grandes. Os guardas se esconderam na coordenação e disseram que não podiam fazer mais nada por nós".

Na tarde da sexta-feira (16), enquanto a reportagem esteve no local e a escola já estava de portas fechadas, uma mãe de aluno esteve lá perguntando sobre a suspensão das aulas. "Eu vim saber o que tinha acontecido, porque meu filho voltou logo para casa. A que ponto chegou? É difícil saber que ele não está seguro nem dentro da escola", disse a mãe do estudante do 6º ano, que não quis identificar.

Já sobre os danos à infraestrutura do ambiente, os professores lembram que foram prestadas queixas de cada objeto levado. "Registramos Boletim de Ocorrência (B.O.) no 10ºDP (Antônio Bezerra) de tudo que foi roubado daqui. Na semana passada nós ligamos para a PM 15h, mas a viatura só chegou aqui 17h.Deu tempo eles fugiram", acrescenta um servidor.

Nos dias 15 e 16 a reportagem tentou entrar em contato com a Delegacia mencionada, para se informar sobre as investigações dos roubos na Escola Joaquim Nogueira, mas devido ao feriado, não foi atendida.

Reunião

Após a suspensão das aulas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Fortaleza recebeu um grupo de professores da Emeif Joaquim Nogueira e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute). A reunião aconteceu na sexta-feira (16), quando foi prometido pela Pasta a presença de uma guarda mais ostensiva, para viabilizar o retorno das aulas.

Conforme a SME, a Escola Joaquim Nogueira conta com serviço de portaria durante o dia e vigilância no período da noite, inclusive nos fins de semana.

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