sábado, 3 de junho de 2017

NÍVEIS CRÍTICOS Quadra chuvosa não muda situação dos açudes no CE. Apesar da intensidade das chuvas, nos últimos dez anos, Orós, Castanhão e Banabuiú vêm perdendo volume.

 por Marcelino Júnior - Colaborador

Sobral. Encerrado nessa quarta-feira (31), o mês de maio se despede levando com ele as chuvas que tanto fizeram a alegria do cearense, recebidas em maior ou menor intensidade nos 184 municípios, que amargaram, nos últimos cinco anos, um longo período de precipitações abaixo da média, comprometendo a oferta hídrica do Estado.

De acordo com dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), levando em consideração o período da quadra chuvosa, de fevereiro a maio, os números se mantiveram abaixo da média, com 553,8mm para o quadrimestre; o que representa queda de 7,8% em relação à média histórica do Estado, que é de 600,7mm.

Apesar disso, se há relatos que o inverno não apenas mudou a paisagem, recobrindo os campos e roçados de verde, mas renovou também a esperança no cultivo das culturas características do Estado, o mesmo não ocorreu com os 153 açudes que abastecem o Ceará, monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) que, em sua maioria, não obtiveram o êxito esperado, em suas recargas. Juntos, eles somam 18,64 bilhões de metros cúbicos de capacidade mas, o volume atual, chega a apenas 2,35 bilhões de metros cúbicos, ou seja, volume total de 12,61%.

Em queda

Os açudes Orós, Castanhão e Banabuiú, os três maiores do Estado, em capacidade, estão, respectivamente 10, 41%; 5,70% e 0,77%, de volume atualmente. Segundo a Cogerh, ao longo dos últimos dez anos, o volume desses reservatórios vem baixando.

Em 2007, o Banabuiú, por exemplo, neste mesmo período, operava com 46,65% de sua capacidade, subindo para 77,79%, no ano seguinte; 92%, em 2009; caindo para 75,78%, em 2010; voltando a ganhar volume em 2011 (91,27%). Depois seguiu em queda até os atuais 0,77%.

No caso do Castanhão, há dez anos, o açude operava com 60,79% de sua capacidade; subindo para 88,96%, em 2008; 94,53%, em 2009; caindo para 72,48% (2010); subindo, novamente, para 82,39% de volume (2011); chegando hoje à assustadora marca de 5,70%. O Orós, que em 2007 alcançava a marca de 67,96%; operando com sua capacidade máxima nos dois anos seguidos (2008-2009); chega agora aos 10,41% de volume registrados.

Maiores chuvas

Justamente, na reta final do período chuvoso, o Ceará obteve o maior volume registrado de precipitações dos últimos dois meses, entre os dias 28 e 29 de maio, com média geral de 11,9mm. Dos 184 municípios, ao todo, 108 foram banhados. Os que fecharam o mês, encabeçando a lista dos dez com maiores precipitações registradas, no dia 29, foram São Gonçalo do Amarante (118 mm), Amontada e Paracuru (117 mm).

Segundo a Funceme, a maior chuva deste ano ocorreu no dia 11 de fevereiro, com média de 36,2 mm, quando 127 municípios relataram precipitações, sendo as maiores em Caucaia (168 mm), Tauá (152 mm), Itaitinga (122 mm), Amontada (116mm), Aracoiaba (116 mm), Aquiraz (115 mm), Horizonte (108 mm) e Fortaleza, que fechou o ranking das precipitações acima dos 100 mm, daquele dia, e também obteve a maior chuva de 2017, com 107 mm.

Mesmo considerado pela Funceme como significativo, o aporte que encerrou a quadra chuvosa no Estado bateu a casa dos 61mm, ficando cerca de 30% abaixo da média histórica para o período, que é de 90,6mm.

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