sexta-feira, 7 de julho de 2017

CRIME ORGANIZADO "Nunca houve uma paz", afirma o titular da SSPDS André Costa disse que agora há um acirramento maior entre as facções, sobretudo na Capital.


De acordo com relatórios divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ao longo dos meses, pelo menos, 2.300 pessoas foram assassinadas no Estado, de janeiro a junho de 2017
( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

 por Emanoela Campelo de Melo - Repórter


André Costa disse que um método eficaz para conter as mortes é investir na Polícia Civil
( FOTO: NAH JEREISSATI )

O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, assumiu que a guerra travada entre os grupos criminosos vem interferindo diretamente na insegurança do Ceará. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o secretário afirmou que "nunca houve uma paz [entre as facções criminosas]. Principalmente, em Fortaleza e Região Metropolitana".

A fala de André Costa é reflexo dos elevados números de Crimes Letais Violentos (CVLIs) - homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Apesar de a Pasta ainda não ter divulgado oficialmente o balanço de assassinatos no primeiro semestre de 2017, já se sabe que o número de homicídios no Ceará cresceu, pelo menos, 30% comparado a igual período do ano passado. De acordo com relatórios divulgados pela Instituição ao longo de seis meses, pelo menos 2.300 pessoas foram assassinadas no Estado, de janeiro a junho de 2017.

Para o secretário, o acirramento entre os grupos criminosos, em determinadas áreas da Capital cearense, é uma forma que as facções encontraram de mostrar quem tem mais poder. "No Lagamar, por exemplo, há mais de um grupo presente. Eles disputam território, disputam o grupo consumidor. Cada ramo de atividade econômica tem sua forma de disputar mercado. Quando se fala em tráfico de drogas, a disputa é com o uso da violência e tirando vidas de pessoas", ressaltou André Costa.

A situação do bairro citado pelo titular da SSPDS é preocupante. O Lagamar é dividido por um trilho de trem. De um lado fica o Comando Vermelho (CV), sob o comando de Rogério de Oliveira Cury, o 'Bocão', na parte da Comunidade denominada 'Cidade de Deus'; do outro lado fica a facção Guardiões do Estado (GDE), sob o comando de João Bosco da Rocha, o 'João Presinha'. O criminoso é uma liderança do tráfico da área há mais de 20 anos, conforme a PM.

No conflito por território, os mais prejudicados são os moradores, que estão até sendo expulsos de suas casas. Como revelou um militar destacado na área, familiares de envolvidos com crimes estão sendo mandados embora pelos rivais e as residências deles estão sendo usadas como ponto de venda de drogas.

André Costa confirmou que os reflexos desse acirramento são mais graves na Capital. "Você percebe que em Fortaleza os números de homicídios são muito maiores do que no Interior. Isso acontece porque são em áreas da Capital onde os grupos criminosos têm uma maior interferência. Não se pode falar em paz com nove, dez mortes, em média, por dia", disse o secretário de Segurança Pública.

André Costa ressaltou, durante a entrevista, uma posição que vem sendo sustentada também pelo governador Camilo Santana: que os homicídios aumentaram, porque a Polícia vem ocupando mais áreas. De acordo com o titular da Pasta, se mais policiais estão nas ruas, é natural que se intensifique um confronto entre autoridades e criminosos. Contudo, questionado sobre quais áreas teriam sido ocupadas pela Polícia, Costa disse que não podia revelar.

"É uma questão de estratégia não falar quais bairros são esses que estamos mais presentes. Ainda não avançou ainda mais, porque precisamos de mais viaturas e mais policiais. O governador tem estado muito preocupado com a situação e tem investido mais na área de Segurança Pública", declarou o secretário.

Investigações

A redução no número de CVLIs está diretamente ligada aos resultados das investigações dos crimes que já aconteceram. Conforme Costa, investir na Polícia Civil é o método eficaz para a mudança do atual cenário. "Não tem crime pior que homicídio. Hoje, a cada nove casos da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sete são resolvidos. Em junho, tivemos recorde no número de prisões. Foram 1.377 autuados em flagrante".

Segundo dados divulgados pelo secretário, em 2017, foram gastos R$ 35 mil entre passagens e diárias que custearam especialização de profissionais da Segurança Pública do Ceará. Agora, foi aprovado que, mensalmente, uma verba de R$ 15 mil será destinada para a especialização.

© Diário do Nordeste

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