sábado, 29 de julho de 2017

ESTELIONATO Empresários, médicos e advogados sofrem golpe. O titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Jaime Paula Pessoa Linhares, disse que, na teoria, as transferências bancárias são feitas por livre escolha, o que dificulta o ressarcimento das vítimas


O titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Jaime Paula Pessoa Linhares, disse que, na teoria, as transferências bancárias são feitas por livre escolha, o que dificulta o ressarcimento das vítimas

Prática criminosa realizada a partir de bloqueio de chip do celular já soma oito vítimas no Ceará

01:00 · 29.07.2017 por Emanoela Campelo de Melo - Repórter

Oito pessoas, inclusive médicos, empresários e advogados cearenses, foram vítimas de um golpe online envolvendo o sistema de telefonia móvel. Conforme investigações da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), da Polícia Civil, em um período de 12 dias, contabilizados desde 17 de julho deste ano até essa sexta-feira (28), o valor do prejuízo causado pelos estelionatários chega a R$ 120 mil.

O titular da DDF, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, conta que a ação criminosa acontece de forma rápida. Em posse do número do CPF da vítima, os estelionatários se passam por ela e realizam uma ligação à operadora telefônica, solicitando o bloqueio do chip do celular dessa pessoa. Logo depois, os criminosos reativam a conta e têm acesso aos contatos da agenda.

Nas redes sociais, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Ceará (OAB-CE), Marcelo Mota, revelou que foi vítima de um golpe semelhante. O advogado informou que teve seu número "clonado" e que alguém se passou por ele, nas redes sociais, pedindo dinheiro, a amigos, por meio de transferência bancária.

"Os estelionatários inventam uma conversa e pedem (aos amigos das vítimas) que possam adiantar R$ 1 mil ou R$ 2 mil. Estamos chamando as operadoras na Delegacia, para saber como foi solicitado esse bloqueio. Sabemos que não é preciso ir a nenhum local físico. O CPF é obtido pela internet. Já a informação com relação ao número do celular pode vir das operadoras ou das instituições bancárias", relatou o delegado Jaime Paula.

Os estelionatários também têm acesso à conta bancária da vítima. Segundo o delegado, até mesmo quando as instituições financeiras chegaram a ligar para as vítimas, a fim de confirmar gastos extras que vinham surgindo, os criminosos se passam pelos reais proprietários da conta e confirmam as compras.

"As regras de controle são falhas. Suspeitamos que, dentro das operadoras, eles tivessem comparsas que distribuíssem os dados dos clientes. O sistema não é seguro, o controle não é tão rígido e muitas regras não vêm sendo seguidas. Essas ocorrências têm sido frequentes", acrescentou o delegado.

Jaime Paula ressalta que, para ser vítima do golpe, não é preciso ter instalado, no celular, aplicativos de banco, mas basta ter a conta. Sobre a possibilidade de as vítimas serem ressarcidas, o delegado lembra que foge da esfera policial, mas que, na teoria, a transferência bancária foi feita por livre escolha.

As investigações apontam que o crime é interestadual. Conforme o titular da DDF, os valores subtraídos das vítimas foram sacados em contas abertas na cidade de São Luís, no Maranhão. "Esse é um fator que complica o trabalho da Polícia", acrescentou o delegado.

Contas online

Conforme o titular da DDF, as falhas nas contas virtuais facilitam a concretização dos golpes. A DDF investiga um outro golpe recente, também realizado online em que 133 pessoas tiveram suas contas bancárias invadidas por estelionatários.

Os criminosos solicitaram, no nome das vítimas, empréstimos consignados a uma correspondente bancária. O prejuízo chega a R$ 300 mil. "A solicitação do empréstimo foi toda feita online, isso ajudou muito os golpistas, que não precisaram apresentar nenhum documento", contou o titular da DDF.

O delegado revela que, antes, os principais suspeitos, de crimes nesta modalidade, eram titulares das contas. Agora, com as movimentações online, é ainda mais fácil que os correntistas se tornem vítimas de outras pessoas, segundo Jaime.

"Eles inovam nos golpes. Nesse caso, o prejuízo ficou para o correspondente bancário, porque foi provado que não houve pedido de empréstimo por parte das vítimas. É preciso que os usuários saibam que as fraudes nas transações bancárias online estão vindo com tudo", preveniu Jaime Paula Pessoa Linhares.

Suspeitos detidos enganavam idosos

Segundo o delegado Harley Filho, os estelionatários focavam no início do mês, quando os aposentados e pensionistas recebem o pagamento (Foto: Thiago Gadelha)

A Polícia Civil desarticulou uma quadrilha interestadual de estelionatários, na última quarta-feira (26), no Município de Horizonte. Além de praticar o crime em território cearense, o grupo agia no Piauí, Rio Grande do Norte e Maranhão. Dois homens e uma mulher foram presos por enganar pessoas idosas, em agência bancárias do Interior, para roubarem o dinheiro.

Ítalo Ferreira da Silva, 35, e os primos Sinelia dos Santos Prata, 47, e João dos Santos Prata, 40, aplicavam o golpe, juntos, há cinco meses. Segundo a investigação, eles já praticavam o crime separadamente, antes de se reunirem. Outros três suspeitos, inclusive o chefe do bando, já foram parcialmente identificados, mas continuam soltos.

Alvo

Segundo informações do titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Harley Filho, os estelionatários se encontravam entre o fim do mês e o dia 10, período no qual os aposentados e pensionistas costumam receber o pagamento em dinheiro ou fazer movimentações bancárias.

O principal método utilizado pelo grupo criminoso é o chamado "golpe do baludo", quando o estelionatário distrai a vítima para adquirir documentos e cartões bancários dela.

Um olheiro, integrante do bando, observava a movimentação dentro das agências. Os clientes escolhidos pelos estelionatários eram aqueles que tinham dificuldades para realizar o saque, geralmente idosos.

Quando o alvo saía da agência, outro criminoso o abordava e deixava um talão de cheque ou dinheiro cair ao chão. Em seguida, o terceiro estelionatário se aproxima e agradece à vítima por ela ter encontrado a quantia. "Eles fazem um vínculo de amizade, de confiança, até um certo ponto que ela, de forma distraída, deixa a bolsa com um dos autores. Quando menos se espera, todos desaparecem", esclarece o titular da Draco.

Duas pessoas que foram vítimas do golpe, no Ceará, já foram identificadas pela Polícia Civil. Uma delas, em Juazeiro do Norte, teve R$ 31 mil subtraídos. Os suspeitos foram autuados pelos crimes de organização criminosa e estelionato.

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