sexta-feira, 18 de agosto de 2017

4,3 TONELADAS Apreensão de drogas neste ano supera todo 2016. Em contrapartida, permanece o aumento de pessoas assassinadas vítimas do tráfico de entorpecentes no Ceará.

Ontem, a delegada Ana Cláudia Nery e o delegado Lucas Aragão divulgaram as últimas operações da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas ( FOTO: HELENE SANTOS )

por Emanoela Campelo de Melo - Repórter

Neste ano, a Especializada já tirou de circulação 2,5 toneladas de entorpecentes. No último dia 10, equipes da DCTD apreenderam 600Kg de drogas ( FOTO: KID JÚNIOR )

Os registros de apreensão de drogas no Estado do Ceará, de janeiro de 2017 a julho de 2017, mostram que os sete primeiros meses deste ano superaram o montante apreendido em todo 2016. De acordo com levantamento da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), neste ano, foram retiradas de circulação 4,3 toneladas de drogas.

Ao longo dos doze meses de 2016, a apreensão de entorpecentes chegou a, aproximadamente, três toneladas, sendo 1,7 recolhida de janeiro a julho. Conforme o secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, em 2017, o aumento está diretamente ligado à intensificação do trabalho da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), que resultou em 2,5 toneladas apreendidas em sete meses.

O que se limitaria a um saldo positivo esbarra quando é analisado junto ao acúmulo de Crimes Violentos Letais (CVLIs), que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Considerado como um dos principais motivos para a matança no Estado, o tráfico de drogas persiste e mostra que as apreensões não interferem quando se trata de executar desafetos na disputa por território para compra e venda.

Neste ano, 2.774 pessoas foram assassinadas no Ceará. Em igual período de 2016, 1.998 morreram vítimas de CVLIs. Para a delegada da DCTD, Ana Cláudia Nery, não há dúvidas que tráfico e homicídios estejam interligados. A policial civil lembra que quem se envolve com entorpecentes tem mais chances de morrer ou se tornar um homicida a mando dos chefes. "Cada droga apreendida é uma pessoa que pode morrer. Quando retiramos de circulação um traficante menor, o maior fica extremamente irritado achando que essa pessoa que trabalha para ele vacilou. Então, essa pessoa fica devendo a um traficante e pode acabar sendo morta ou matando alguém para pagar sua dívida", disse a delegada.

O diretor adjunto da Divisão, Lucas Aragão, ressalta que a relação entre os crimes é um problema em nível nacional, e se deve à popularização da compra e venda dos ilícitos. As drogas chegam com facilidade aos bairros nobres e às periferias. A diferença, conforme Aragão, é que nas localidades marginalizadas se mantém a terceirização que se mostrou um trabalho rentável.

"Muitas vezes, nós somos apenas a ponta da lança. Na periferia eles conseguem se fechar ainda mais e impor o toque do medo ordenando o armazenamento. Estamos batendo forte e a população vem denunciando mais. Esse aumento no número de apreensões se deve à ajuda dos populares", afirmou o diretor adjunto da DCTD.

Ações recentes

No dia 10 deste mês, equipes da DCTD apreenderam 600 quilos de drogas em duas operações realizadas na Capital. Ontem, foi apresentado o balanço de outras recentes ações.

Em duas semanas, do dia 2 de agosto de 2017 ao último dia 15, 17 pessoas foram presas por equipes da Divisão e retirados de circulação 46 quilos de entorpecentes, incluindo maconha, crack, ecstasy, cocaína e LSD, além de sete armas de fogo.

Uma das apreensões que se destaca em meio ao montante é a de Caique Barbosa do Nascimento, 24, identificado pela Polícia após recebimento de denúncias anônimas. Os denunciantes apontaram que Caique Barbosa vendia drogas em uma praça pública do bairro Conjunto Ceará.

No último dia 2, os policiais civis estiveram na praça e constataram a presença do suspeito. Com ele foram encontrados 240 comprimidos de ecstasy, 216 micropontos de LSD e 24 trouxinhas de maconha prontas para consumo. O homem teria afirmado aos policiais civis que trabalhava para um traficante recolhido em um dos presídios do Ceará e distribuiria parte do material em uma festa 'rave'.

Já no dia 8 de agosto deste ano foram presas quatro pessoas, no bairro Bela Vista. Segundo a delegada Ana Cláudia Nery, enquanto os policiais da DCTD atuavam no bairro, dois homens e duas mulheres abordaram um dos inspetores, que estava à paisana diligenciando na área, e, em seguida, anunciaram um assalto ao policial.

Segundo a Polícia, os suspeitos Antônio Marcos Santos Araújo, Rafaela Trajano Barbosa, Francisca Monalisa de Sousa Lima e Anderson Morais de Lima tentaram assaltar o inspetor e o levar como refém. A quadrilha foi presa em flagrante com 2,3Kg de maconha e 29 gramas de cocaína. Além de autuados por tráfico de drogas, todos devem responder também por tentativa de roubo.

Outra prisão, desta vez no Interior do Estado, é tida pela equipe da DCTD como de extrema importância para o combate ao tráfico. No último dia 10, Antônio Wlisses Crisóstomo Fernandes foi encontrado na cidade de Quixeramobim. Ele é um dos nove detidos na Operação Narcos.

Cristóstomo, conhecido como 'Irmão Doido' é tido pela Polícia como um dos líderes de uma facção criminosa atuante no Sertão Central. Quando preso, portava pequena quantidade de ilícitos, que, segundo o suspeito, seriam consumidos só por ele.

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