quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ENTRE UNIDADES PRISIONAIS Ministério Público estuda pedir transferência de 'Alemão'. Para o promotor, o Presídio de Pacatuba não tem condições de manter os líderes do PCC que tentaram fugir.


Policiais militares uniformizados e à paisana reforçam a segurança do Instituto Dr. José Frota (IJF) para evitar ações criminosas ( Foto: Natinho Rodrigues )

por Messias Borges - Repórter

Antônio Jussivan Alves dos Santos, o 'Alemão', foi baleado quando tentava pular a muralha da Penitenciária de Pacatuba, na madrugada da última terça-feira (8)

Um dia depois da tentativa de resgate de três presos do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre eles Antônio Jussivan Alves dos Santos, o 'Alemão', na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, o Ministério Público do Ceará (MPCE) já começou a estudar a possibilidade de pedir a transferência dos detentos para outra unidade prisional.

"Dos três que tentaram fugir, dois já estiveram em presídio federal. Eu reinquiri, ao diretor da Unidade, toda a documentação referente à narrativa do fato. E, se for necessário, vamos conversar com a juíza corregedora para transferi-los para um lugar adequado, que pode ser um presídio federal", revelou o representante do Ministério Público na Corregedoria dos Presídios de Fortaleza, promotor André Barbosa.

O promotor pediu informações e imagens, registradas pelas câmeras de monitoramento, da ação criminosa. Após receber o conteúdo, André pretende conversar com a juíza corregedora Luciana Teixeira de Souza e com a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) para chegar ao melhor destino dos detentos 'Alemão', Antônio Carlito Avelino, o 'Boi', e Paulo Laércio Pereira de Freitas, o 'Paulo Cabecinha'.

A ação ousada do PCC contou com cerca de 15 homens fortemente armados e provocou um tiroteio, com policiais militares, que durou aproximadamente 20 minutos. A tentativa de resgate preocupou o promotor André Barbosa. "Estamos estudando ingressar com a melhor medida em relação aos três (presos), para garantir a segurança dos profissionais e presos da Unidade. Ficou claro que aquele local não tem condições de segurar pessoas que participam de grupos criminosos altamente armados", justificou.

Perigosos

Os três presos que tentaram fugir da Penitenciária de Pacatuba são considerados de alta periculosidade para a Polícia. 'Alemão' se encontra preso pelo furto milionário ao Banco Central, em 2005, em que é apontado como o principal líder da quadrilha, e é suspeito de participar de assaltos a carros-fortes. 'Boi' é considerado um especialista em ataques a instituições financeiras e foi condenado a mais de 50 anos de prisão. Já o detento conhecido como 'Paulo Cabecinha' é suspeito de homicídios, receptação e assaltos a carros-fortes. Os dois últimos homens ainda têm histórico de fugas de unidades do Sistema Penitenciário cearense.

Para uma fonte da Polícia, que preferiu não se identificar, os detentos, especialmente 'Alemão', não podem permanecer em um presídio na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). "O último acontecimento fala por si só. Um presídio dentro da Grande Fortaleza não consegue ter todo esse aparato para enfrentar uma ação criminosa dessas. Poderia matar os policiais da guarita", opinou.

A fonte acredita que Antônio Jussivan seria resgatado para participar de um plano ainda maior do PCC. "O que me chamou mais atenção nessa tentativa de resgate é que ele ('Alemão') estava prestes a sair e, mesmo assim, arriscou a vida. Ele tinha conseguido diminuir tanto a pena. O que estaria por trás dessa tentativa de resgate? Eu fico preocupado é com outras possibilidades, de esse resgate estar sendo por um objetivo maior", afirmou.

Hospital

Os três presos foram baleados por policiais militares e agentes penitenciários, enquanto tentavam subir em uma 'teresa' (corda feita com lençóis) para escalar a muralha do presídio. 'Paulo Cabecinha' foi atendido dentro da Unidade Prisional. 'Boi' foi levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas voltou à Penitenciária no mesmo dia. 'Alemão' continua no hospital, sendo tratado pela equipe médica, mas não corre risco de morte.

A reportagem apurou que, para garantir que não aconteçam ações criminosas dentro da unidade de saúde, policiais militares uniformizados e à paisana fazem a escolta de 'Alemão', na área interna e nas proximidades do prédio.

© Diário do Nordeste

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