segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Presidente do Sinpol afirma que Polícia Civil sofre abandono do governo e omissão do Ministério Público

Lucas afirma que governo não tem menor interesse nem compromisso com a Polícia Civil 
”Hoje, aqui no Ceará, o bandido tem a certeza de que, se não for pego em flagrante, e geralmente não é, não será alcançado por uma investigação. Aqui, só se investiga os crimes de maior repercussão ou quando a vítima (do crime) é da alta sociedade, infelizmente”.
A declaração foi feita pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol), Francisco Lucas da Silva, em entrevista exclusiva, na manhã desta segunda-feira (21) ao programa “Ceará News”, da Rede Plus de Rádio FM. 
De forma incisiva, ele fez um relato da situação de caos que atinge a instituição, com a falta de efetivo (delegados, escrivães e inspetores) e a péssima estrutura física das delegacias, além do gravíssimo acúmulo de inquéritos que ficam parados, sem investigação, por falta de pessoal. “O governo não tem o menor interesse e nem compromisso com a Polícia Civil. O sucateamento da instituição vem de três décadas”, dispara Lucas.
Inquéritos parados
Segundo ele, nas delegacias da Polícia Civil as poucas equipes existentes não atendem sequer à demanda diária da população que requer os serviços da instituição. Segundo o sindicalista, o estado de paralisia das investigações se reflete nos milhares de inquéritos parados e os crimes sem solução.  Segundo ele, o governo poderia resolver isso com a contratação de novos servidores para a Pasta. “Temos um cadastro reserva (candidatos aprovados nos últimos concursos para delegados, inspetores e escrivães), mas ele não chama, não tem interesse na Polícia Civil”, repete.

Por conta disso, ele criticou a recente decisão do secretário da Segurança Pública, André Costa, que mandou devolver para as delegacias distritais e metropolitanas da Grande Fortaleza cerca de seis mil inquéritos que estavam parados na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Faz-de-conta
Lucas considerou essa situação gravíssima e acusou o Ministério Público do Ceará de ser omisso na fiscalização externa da atividade policial no estado. “O Ministério Público se omite de forma grave. A fiscalização do Controle Externo é um faz-de-conta. Eu disse lá, “vocês apenas fazem de conta que fiscalizam”.

Ele criticou também uma recente portaria assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Lima, proibindo a divulgação de imagens captadas pelas câmeras instaladas nas delegacias. “Isso não contribui em absolutamente nada. A sociedade tem que ter o conhecimento desse tipo de situação. Essa medida não vai resolver nada, esse não é o caminho”.

O presidente do Sinpol falou também das péssimas estruturas das delegacias e citou como exemplo a Delegacia de Defesa da Mulher, as Metropolitanas de Maracanaú e Itaitinga e a Delegacia Regional de Jaguaribe, que já foi interditada pela Justiça, mas continua funcionando ilegalmente.

Blog Fernando Ribeiro

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