sexta-feira, 4 de agosto de 2017

QUATRO ANOS DEPOIS Julgamento de PMs por homicídios é marcado. Dois militares são acusados de matar dois jovens e ferir outras duas pessoas, durante festa de Pré-Carnaval.

por Emanoela Campelo de Melo - Repórter

Ingrid Mayara, de 18 anos, e Igor Lima, 16, foram abordados e baleados enquanto se divertiam na Pracinha Manuel Dias Macedo ( Foto: Viviane Pinheiro (27/1/2013) )

Passados mais de quatro anos e meio do crime que matou dois jovens e feriu outros dois, que se divertiam em uma festa de Pré-Carnaval, no bairro Ellery, em Fortaleza, o julgamento dos réus, dois policiais militares, foi marcado pela Justiça na última segunda-feira (31).

Os PMs Raimundo Vieira da Costa e José Raphael Olegário França são acusados pelos homicídios de Ingrid Mayara Oliveira Lima, de 18 anos de idade, e Igor de Andrade Lima, 16. A dupla também teria ferido e tentado matar os jovens Luiz Alisson e Rogério Silva. De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), os réus vão a júri popular no início da tarde do dia 27 de setembro deste ano.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o crime aconteceu no dia 26 de janeiro de 2013, por volta da meia-noite, na Pracinha Manuel Dias Macedo.

Pelo crime, o MPCE requereu a pronúncia dos dois acusados por dois homicídios e duas tentativas de homicídio. A decisão de levar a dupla ao júri popular, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), no dia 15 de setembro de 2015, foi do juiz Henrique Jorge Holanda Silveira, à época, titular da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza.

Os dois militares também foram submetidos a processos administrativos na Controladoria Geral de Disciplina (CGD). Segundo a CGD, o soldado Olegário França foi demitido e o cabo Vieira da Costa, expulso da Polícia Militar do Ceará.

Intervenção

Na noite do crime, integrantes do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom-Ronda do Quarteirão) foram acionados até o local para coibir o excesso do barulho ocasionado por paredões de som. Os brincantes do Pré-Carnaval permaneciam na Praça após o término do 'Bloco Sai na Marra'. Segundo testemunhas, com a intervenção policial, foram arremessados objetos contra a viatura. Lindomar da Silva Sousa, o 'Pirulito', foi abordado por ter iniciado o conflito. Com a continuidade do tumulto, o cabo Vieira teria alertado a outro policial que se afastasse, dando a entender que iria atirar contra a multidão, segundo a denúncia.

Conforme os autos, os dois PMs teriam disparado várias vezes contra a população e atingiram quatro pessoas. A Perícia Forense constatou que Ingrid Mayara foi atingida no tórax e próximo ao pescoço. Já Igor Lima foi baleado na cabeça, chegou a ser socorrido ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu ao ferimento. À época, testemunhas contaram que Ingrid estava no local ajudando a mãe a desmontar uma barraca de lanches.

De acordo com a denúncia do MPCE, Rogério Silva e Luiz Alisson também foram lesionados à bala e, só não foram mortos, devido às circunstâncias alheias à vontade dos denunciados. O resultado dos primeiros exames residuográfico e de parafina feitos deram negativo para ambos os policiais militares.

Outro laudo atestou que os disparos que atingiram as vítimas mortas partiram da pistola usada por uma policial feminina. Entretanto, a investigação descobriu que não houve a devida custódia dos materiais examinados. Um terceiro exame, que analisou os projéteis retirados dos corpos das vítimas, concluiu que os disparos partiram da arma de fogo utilizada pelo cabo Vieira da Costa.

Procurada pela reportagem, a defesa do soldado Olegário França, representada pelo advogado Delano Cruz, alegou que, em nenhum dos exames de parafina, foi constatado que seu cliente havia atirado. "A nossa tese é a negativa de autoria. Ele nunca foi preso. Está morando no Rio de Janeiro. No dia do julgamento, ele vem ao Ceará", disse Cruz. A defesa do cabo Vieira da Costa não foi encontrada.

  

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