sábado, 5 de agosto de 2017

UNIDADES MASCULINAS Mulheres estariam sendo aliciadas para visitar presídios. Duas suspeitas foram presas ao tentar emitir segunda permissão para visitante, usando documentos falsos.

Uma suspeita afirmou que mantinha relacionamento com um detendo do Presídio do Carrapicho e, 20 dias depois, com um preso de outra unidade ( Foto: JL Rosa )

01:00 · 05.08.2017 por Emanoela Campelo de Melo - Repórter

O titular da DDF, Jaime Paula Pessoa Linhares, afirmou que trabalha com duas linhas de investigação para desvendar o esquema criminoso ( Foto: Fabiane de Paula )

Uma nova modalidade de fraude vem se apresentando com reincidência, no último mês, e sendo investigada pela Polícia Civil. Por meio da falsificação da identidade e do documento que possibilita a entrada de visitantes em presídios do Ceará, mulheres estariam sendo aliciadas pelos criminosos para entrarem nas unidades prisionais.

Entre junho e julho deste ano, três casos semelhantes foram registrados pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF). Dois deles aconteceram nas duas últimas semanas e resultaram nas prisões das suspeitas Lara Luana Rebouças de Sousa, de 19 anos de idade, e Keliane Filgueira Freire, 21.

A prisão das duas mulheres se deu em dias diferentes, mas o local foi o mesmo: o Vapt Vupt do bairro Antônio Bezerra, na Capital. As jovens foram capturadas enquanto tentavam receber uma segunda carteira de visitante de presídio (sendo que as duas já tinham a permissão), mediante apresentação de documentos falsos. Nos dois casos, a Secretaria da Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus) percebeu a fraude e acionou a Polícia.

Conforme o titular da DDF, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, as duas suspeitas contaram, em depoimento, que pretendiam obter ilegalmente o registro para visitar novos namorados. Mediante contradições, a Polícia passou a trabalhar com duas linhas investigativas.

Na primeira hipótese, a entrada em vários presídios seria causada pelo aliciamento de mulheres para se prostituírem dentro das unidades. A segunda linha de investigação é que as mulheres estejam atuando como 'pombos-correios' do crime organizado, isto é, responsáveis por levar e trazer ordens e recados entre os presos e os comparsas.

"A Polícia investiga se elas tinham facilitação e informações direcionadas, vindas de dentro do presídio. No caso do aliciamento, elas passavam o dia inteiro no presídio, não sabemos a quantas pessoas elas serviam lá dentro. Sabemos que é preciso que elas tenham orientação de alguém. Investigamos se alguém fez a ponte entre elas", afirmou o delegado.

Vários namorados

A suspeita Lara Luana é estudante e foi presa na última quinta-feira (3). A mulher afirmou que mantinha união estável com um detento da Casa de Privação Provisória de Liberdade Desembargador Francisco Adalberto de Oliveira Barros, conhecido como Presídio do Carrapicho, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). E, em 20 dias, terminou o relacionamento com ele e passou a namorar outro preso, que é custodiado na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), em Itaitinga.

Para conseguir um novo documento, a estudante teria pego a identidade de uma amiga que tem traços físicos semelhantes aos seus. A Polícia Civil investiga se a mulher indicada como amiga é cúmplice do esquema criminoso ou se é vítima do golpe.

Já no caso de Keliane Freire, ela teria falsificado toda a documentação de uma mulher. O objetivo dela era conseguir autorização para entrar no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) II, para visitar o suposto namorado.

"Ela (Keliane) alega a mesma história de ir visitar um novo namorado. As duas presas têm perfis totalmente diferentes e não se conheciam, mas ambas se contradizem em depoimento. A gente vai em busca de outros setores da Polícia, para aprofundar essa investigação", prometeu o delegado Jaime Linhares.

A dupla foi autuada pelos crimes de falsificação de documento público e uso de documento falso. As duas não tinham antecedentes criminais. De acordo com o delegado Jaime Linhares, se as mulheres forem condenadas, podem ser punidas com penas de um a cinco anos de reclusão.

Foragida

Há ainda uma terceira suspeita de cometer a mesma prática criminosa. Uma mulher identificada como Francisca Elenice Barros também teria utilizado identidade falsa para entrar em uma unidade prisional do Estado. Porém, a Polícia ainda não a encontrou, nem tem mais informações sobre a fraude cometida por ela.

A Secretaria da Justiça, através de nota emitida pela assessoria de comunicação, ressaltou que, ao identificar inconsistência nos documentos, seja no ato do cadastro ou na entrada da unidade, a ocorrência é encaminhada à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no intuito de haver atuação policial.

De acordo com a Sejus, a carteira é novamente checada a cada entrada do visitante. A Pasta afirma ainda que, na chegada, o visitante é encaminhado, pelos agentes penitenciários, para a vivência onde o interno se encontra recolhido no presídio. Entretanto, o visitante pode ter contato com outros detentos da mesma vivência.

A Pasta acrescentou que o Núcleo de Cadastro de Visitantes (Nucav), ligado à Coordenadoria Especial do Sistema Penitenciário, é o responsável pela emissão de carteiras de visitantes de internos dos presídios.

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