sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Ex-secretário de Justiça diz que ações de combate a violência no Ceará são "midiáticas" e "marketing policial"

Hélio Leitão afirma está preocupado com os altíssimos índices da violência no Ceará

O ex-secretário de Justiça e Cidadania do Ceará, advogado Hélio Leitão, atualmente membro da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), fez severas críticas ao momento de  extrema violência que domina o estado, com mais de quatro mil assassinatos em apenas 10 meses incompletos, conforme divulgou com exclusividade, o cearanews7.com nesta sexta-feira (20).  Para ele, as ações de combate ao crime no Ceará atualmente são mais “midiáticas” que verdadeiramente planejadas para reduzir a violência.

Em entrevista sobre o assunto, o ex-secretário disse que, “há uma descontinuidade das políticas de Segurança Pública e se apostou mais em marketing policial e ações midiáticas do que numa política de Segurança”, alfinetando a atual gestão do secretário André Costa e do governador Camilo Santana (PT).  Leitão se diz “preocupadíssimo” com estado geral da violência no Ceará. 

“O que está acontecendo nos convida para uma reflexão para se saber que política de Segurança se faz neste estado”. Segundo ele, nos dois últimos anos, os índices da violência cresceram “vertiginosamente”.  Ele reconhece a presença das facções criminosas no Ceará.

Gestão e motim

Hélio Leitão antecedeu a procuradora de Justiça Socorro França no cargo de secretário de Justiça e de Cidadania, órgão responsável pelo gerenciamento do Sistema Penitenciário do Ceará.  Foi durante sua administração que eclodiu a presença das facções dentro das cadeias e penitenciárias do estado, culminando numa rebelião simultânea  nas principais unidades carcerárias da Região Metropolitana de Fortaleza.

O motim generalizado terminou em uma carnificina e total destruição de várias Casas de Privação Provisória da Liberdade (CPPLs). O conflito nas cadeias aconteceu nos dias 21 e 22 de maio do ano passado, logo após a deflagração de uma greve dos agentes penitenciários. Até hoje, é incerto o número de presos mortos no levante. A Sejus assegura que foram “apenas” 14.

Jornalista Fernando Ribeiro Copyright 2016

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