sábado, 4 de novembro de 2017

OPERAÇÃO PORTA FECHADA Polícia identifica 18 estudantes em agenda de fraudador do Enem 2016. Da relação, cinco candidatos conseguiram a aprovação com a fraude.

por Estadão Conteúdo

Os candidatos tentaram fraudar a prova do Enem de 2016 ( Foto: Reprodução )

A Polícia Civil de Goiás apreendeu a agenda de Antônio Carlos da Silva Francisco, suspeito de vender vagas em concursos e preso na terceira fase da Operação Porta Fechada, com uma relação de 18 candidatos que tentaram fraudar o Enem 2016. A ação deflagrada na segunda-feira (30), capturou outros sete aliciadores de candidatos dispostos a comprar provas.

As anotações manuscritas preenchem 10 páginas da agenda e têm o título "Relação candidatos". Os candidatos receberam números de 1 a 18. Da relação, cincoconseguiram a aprovação com a fraude.

Sob cada nome, a agenda contém anotações com o número do CPF, apontuação ligada ao Enem, um número de inscrição e uma senha. A senha de um aluno era "halls preto".

Segundo os investigadores, o documento revela a ousadia do grupo - ao lado do nome de alguns candidatos, a agenda traz cálculos sobre a quantidade de pontos necessários para aprovação.

A anotação referente ao estudante identificado pelo número 17 indica "Pontos 802,54". "813,2 + 746,4 + 757,8 + 975,3 - Redação 720".

A agenda indica ainda cidades de outros Estados. Associado à aluna número 1 está o município de São José do Rio Preto e à aluna número 2, Agudos, ambos os municípios situados no interior de São Paulo.

A venda de vagas do Enem foi descoberta pela Operação Porta Fechada em meio à investigação sobre fraudes no concurso para delegados.

A nova fase da operação identificou que os 13 primeiros colocados na prova objetiva para delegados foram aprovados mediante a compra de suas vagas.

Os valores pagos pelos candidatos iam de R$ 150 mil a R$ 450 mil. A quantia dependia "do bolso da pessoa", diz a Polícia.

Parte dos alvos da Porta Fechada, segundo a Polícia, era formada poraliciadores que "identificavam possíveis compradores de vagas".

A Polícia afirma que os aliciadores usaram o ex-funcionário do Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos - órgão vinculado à UnB) Ricardo Nascimento da Silva para fraudar concursos - ele foi preso.

O compradores de vaga entregavam as folhas respostas em branco ou com apenas poucas questões preenchidas. No dia seguinte à aplicação da prova o funcionário do Cebraspe pegava os cartões respostas, preenchia o documento durante a noite, quando já era possível acessar os gabaritos na área do candidato, e os devolvia para digitalização e conferência de erros e acertos.

De acordo com a Polícia, em 6 de fevereiro, Ricardo Nascimento da Silva pegou os cartões respostas, ao menos, de 16 candidatos que haviam entregue os papeis praticamente em branco por orientação do esquema. Após opreenchimento de 13 desses cartões respostas, Ricardo os devolveu ao Cebraspe no dia seguinte, para digitalização e conferência de erros e acertos.

Os outros três cartões respostas, segundo a Polícia, não foram preenchidos por desacordo quanto ao pagamento entre aliciadores e candidatos, motivo pelo qual estes não foram aprovados.

A reportagem não conseguiu contato com Antonio Carlos Francisco. O espaço está aberto para manifestação.

Outro lado

O advogado Marcus Vinicius Figueiredo, que defende o Cebraspe, informou que o órgão tem atuado junto a Polícia Civil desde o início das investigações. Segundo o defensor, o Centro entregou documentação e filmagens à Polícia.

Figueiredo declarou que o Ricardo Nascimento Silva não é funcionário do Cebraspe desde março. O advogado afirmou que o ex-funcionário foi desligado por quebra de padrão de comportamento.

© Diário do Nordeste

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