quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

INTERVENÇÃO Avanço do mar volta a preocupar no Icaraí. A Prefeitura está aguardando a liberação de uma verba que gira em torno de R$ 50 mi para ampliar o muro.


Por conta do problema, a Prefeitura de Caucaia finalizou, neste mês, a ampliação do Bag Wall - muro de contenção - com 380 km de extensão e altura de 4,5 metros, formado por sacos de cimento e pedras
( Foto: Natinho Rodrigues )

por Patrício Lima - Repórter

O avanço do mar na Praia de Icaraí, no município de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, vem preocupando moradores e comerciantes da região. A apreensão aumenta neste período com a ressaca do mar, que ocasiona danos às estruturas e espantam os turistas do local.

Por conta do problema, a Prefeitura de Caucaia finalizou neste mês a ampliação do Bag Wall - muro de contenção - que possuí 380 km de extensão e uma altura de 4,5 metros, formado por sacos de cimento e pedras.

Segundo o secretário de Infraestrutura de Caucaia, Kleber Correia, já foram investidos mais de R$ 4,5 milhões na construção e manutenção da estrutura. Ele afirma, ainda, que está aguardando a liberação de uma verba que gira em torno de R$ 50 milhões, advinda do Ministério da Integração, para uma nova ampliação do muro de contenção, que abrangerá também as praias da Tabuba, do Pacheco e Dois Coqueiros.

"A maré está invalidando o patrimônio público e privado. Uma comissão de engenharia do Ministério e Defesa Civil visitará a orla em breve. A ideia é ampliar em 4,7 mil metros o Bag Wall com a liberação do recurso. Já enviamos toda a documentação que eles pediram e estamos aguardando a liberação do dinheiro", explica Kleber.

Luiz Francisco de Sousa, proprietário de uma barraca no Icaraí, admite que tem medo de que seu empreendimento sofra algum dano por conta dos efeitos da natureza. Por causa do problema, ele, que passa dos 30 anos no local, já se mudou mais de quatro vezes. "Estamos na expectativa e na torcida para que tudo ocorra normalmente. Porém, em época de lua cheia, que deve ocorrer no início de janeiro, as consequências do avanço do mar acabam sendo mais graves", afirma.

Já o administrador Paulo dos Santos, morador da região, também teme os impactos da ação da natureza. "Essa região sofre, a cada ano que passa, e deve continuar tendo esses problemas. A gente vê por toda parte casas abandonadas, as barracas de praia vazias, entre outras adversidades. Mais importante que o muro, todos nós acreditamos que um espigão resolveria o problema", aponta.

Espigão

Sobre a possibilidade da instalação de um espigão na região, o secretário Kléber Correia afirmou ainda não ter recebido nenhum estudo que comprove a eficácia da ideia. "Até que provem o contrário, continuaremos com a ideia do muro de contenção, que foi idealizado através de uma pesquisa conjunta com a Universidade Estadual do Ceará (UECE). É válido ressaltar que esse problema em Icapuí é consequência também de outras intervenções na Praia de Iracema e na Barra do Ceará. Não queremos correr o risco de que a estrutura do Porto do Pecém seja afetada por uma possível construção de um espigão", revela o gestor.

Ele destaca, também, que diariamente um funcionário da Prefeitura vai ao local para identificar qualquer tipo de avaria no equipamento, por conta do avanço do mar. "Caso seja necessário, também podemos reconstruir parte da estrutura que esteja danificada, sem nenhum custo adicional. Já possuímos cinco anos de seguro da construtora que executou a obra", finaliza.

Para o vice-presidente do Movimento Icaraí, Sidnei Machado, a população sente na pele os problemas ocasionados pelo o avanço do mar. "Aqui virou uma cidade fantasma. Nos últimos 10 anos, mais de 30 barracas fecharam e centenas de funcionários perderam seus empregos. Com a debandada das pessoas, aqui tem se tornado um lugar perigoso. Até os imóveis têm perdido valor comercial. Todos nós estamos acumulando prejuízos. Temos que ter um projeto de contenção do mar efetivo. Até agora nenhuma das ações ocasionou o efeito esperado", desabafa.

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