terça-feira, 9 de janeiro de 2018

BARROSO Criança é baleada por policial dentro de casa. O menino de 11 anos foi alvejado três vezes. O sargento que atirou afirma que os disparos foram acidentais.


A família da vítima diz que ela estava deitada em uma rede, ainda dormindo, quando a Polícia chegou e pediu para entrar no local
( Fotos: Saulo Roberto )


O delegado Bruno Figueiredo explica que a arma é semiautomática e não deveria dar disparos seguidos


A apreensão regular da arma, para que seja feito o exame balístico, pela Pefoce, já foi realizada

Em meio à guerra entre as facções, que já provocou até a expulsão de moradores de suas próprias casas, na 'Comunidade da Babilônia', desta vez foi a vez da 'Comunidade João Paulo II', também no bairro Barroso, ser surpreendida por notícias de violência extrema. Na manhã de ontem, uma criança de 11 anos foi baleada e, ao menos, três lesões foram causadas nela. O menino estava dentro de casa.

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Um sargento, lotado no 16° Batalhão da Polícia Militar (BPM), confessou ter atirado, mas alegou em depoimento que os disparos saíram da própria arma de forma acidental. De acordo com o delegado Bruno de Figueiredo, titular do 6° DP (Messejana), o fato aconteceu após uma composição da PM ser acionada por uma empresa de segurança particular, que faz rastreamento de veículos. Os funcionários da empresa afirmavam que, na Rua 12, teria sido identificado uma moto roubada.

Após a solicitação, uma patrulha da PM seguiu até o local e entrou em uma residência, localizada na comunidade João Paulo II, onde a criança estava. O sargento estaria em posse de duas armas, sendo uma pistola e uma carabina, mas afirmou que não estava com nenhuma das armas em punho. Segundo ele, a carabina estaria segura a seu corpo por uma bandoleira.

Ao realizar as buscas na residência, a arma teria efetuado uma série de disparos. O sargento alega que verificou se algum dos policiais estaria ferido, quando percebeu que os disparos teriam atingido o menino. No entanto, o delegado Bruno Figueiredo explica que, mesmo que o policial tivesse acionado o gatilho sem perceber, a arma só poderia disparar uma única vez.

"Ela não deveria dar dois disparos seguidos, por se tratar de um armamento semiautomático. Para cada disparo, é preciso ter a ação de apertar novamente o gatilho. Então a arma não poderia disparar dessa forma, mesmo com a ação do policial de ter apertada o gatilho uma vez", afirma o delegado. Bruno Figueiredo ressalta, também, que em espaços exíguos, armas como carabinas não devem ser utilizadas.

Socorro

Após os disparos, a patrulha da PM socorreu a vítima para o Hospital Distrital Edmilson Barros de Oliveira (Frotinha da Messejana). De lá, a criança foi levada para o Instituto Doutor José Frota (IJF). Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o estado de saúde da vítima era estável até a noite de ontem.

A moto, procurada pelas autoridades, estaria na mesma rua, mas em um local abandonado a poucos metros da residência. Junto do veículo havia uma bolsa, além de cartuchos de munições. Não há nenhum indício que o material teria sido subtraído por moradores da região.

Bruno Figueiredo diz que todas as pessoas presentes na residência serão ouvidas oficialmente e que já foi realizada a apreensão regular da arma, para que seja feito o exame balístico, pela Perícia Forense (Pefoce). O laudo deste exame deverá comprovar se, de fato, os disparos foram acidentais. Até ontem, o sargento seguia em liberdade.

Família

Um espectro da tensão pairou sobre a região durante toda a manhã. Apesar dos disparos terem sido realizados por volta das 7h, o meio-dia chegava sem que os familiares do menino tivessem algum esclarecimento sobre o que aconteceu.

O irmão da vítima (identidade preservada), explica que estava com o pai e mais dois irmãos, quando a Polícia chegou. Ao ser autorizada a entrada dos militares pelo dono da casa, o jovem contou que teria pedido para o irmão acordar e levantar de uma rede, para dar mais espaço aos PMs. Logo em seguida, os estampidos alertaram a todos que algo teria saído do controle.

"Nós corremos para a viatura e socorremos ele. Apertamos o braço dele ao longo de todo o caminho para evitar que ele perdesse sangue", lamenta. Além de ser alvejado duas vezes no braço, o menino também foi atingido por um tiro na perna.

Apesar de estar na residência, o irmão da vítima não chegou a ver o momento dos disparos, mas contesta a versão oficial. "Não dá para saber o que aconteceu, mas imagino que se fosse acidental teria sido apenas um", diz. Segundo ele, essa era a primeira vez que a Polícia teria entrado em sua casa, e que não teriam explicado, de imediato, o motivo da entrada.

Outros moradores da região, que preferiram não se identificar, relatam que ações semelhantes são frequentes no bairro. "Aqui é sempre assim. Eles sempre chegam, invadem as nossas casas e não temos direito de falar nada", afirmou.

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