sábado, 6 de janeiro de 2018

MORADORES EXPULSOS Após ameaças da GDE, 'Babilônia' é ocupada. Uma força-tarefa da SSPDS ocupou as ruas da comunidade, na última sexta-feira (5), em busca de criminosos.


Os moradores começaram a se mudar ainda na noite de quarta-feira (3). A movimentação na comunidade continuou na quinta (4) e as últimas famílias deixaram a Babilônia, na sexta (5). Policiais estiveram no local, apagaram as pichações e ocuparam as ruas

As ruas na comunidade da Babilônia, no bairro Barroso, estavam paradas, durante a última sexta-feira (5). Os poucos que circulavam pelas ruas, ainda tinham olhos assustados. Casas fechadas e placas de venda era o que mais se via, principalmente nas travessas, em que as famílias foram expulsas por criminosos da facção Guardiões do Estado (GDE). Os que resistiram, e permanecerem no local, estão trancados atrás de grades e portões com cadeados.

Uma força-tarefa montada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) está atuando na comunidade da Babilônia, no bairro Barroso, em Fortaleza, desde a última sexta-feira (5), para tentar combater o domínio da facção, que expulsou dezenas de famílias de suas casas. A Polícia procura, principalmente, por Auricélio Sousa Freitas, 'Celinho', apontado como atual líder da GDE e mandante da expulsão dos moradores da comunidade, dominada por ele.

De acordo com o responsável pelo policiamento militar no Barroso, major Passos, equipes de batalhões especializados e do policiamento ostensivo estão na comunidade. Policiais Civis do 16º DP (Dias Macedo) também realizam diligências na região, para colherem provas para a investigação do grupo criminoso. O trabalho policial já resultou na prisão de quatro suspeitos. Arlen Sousa Ferreira, Rhuan Alberto Oliveira Conceição e Marcela Sena Fraga foram detidos, na noite da última quarta-feira (3), com duas armas de fogo, droga e balanças de precisão, de acordo com a SSPDS. Um quarto suspeito foi capturado na quinta (4). Uma espingarda calibre 22 e uma pequena quantidade de crack foram apreendidas na última sexta-feira (5).

Providências

Por meio da rede social Facebook, o titular da SSPDS, André Costa, disse que logo que tomou conhecimento das pichações e ameaças, enviou um efetivo especializado do BPChoque, BPRaio e Cavalaria para ocupar a área e "garantir que os cidadãos permanecessem em suas casas". O secretário continuou dizendo que "alguns não acreditaram na nossa presença permanente e decidiram sair de lá. Ficaremos o tempo que for preciso, aguardando que os poucos moradores que decidiram sair possam retornar aos seus lares".

André Costa afirmou também dizendo que os criminosos "sentirão a mão pesada da Polícia cearense". "Vamos para cima e não recuaremos. Ações ostensivas para garantir a segurança das pessoas na região e investigação para botar todo mundo na cadeia". O secretário garantiu vigor nas ações. "Não recuaremos. Não apoiamos ações de criminosos 'garantindo mudança' de moradores", declarou.

Pichações

Os policiais que compõem a força-tarefa na Babilônia também cobriram com tinta preta, os muros que continham pichações com ameaças aos moradores, caso não deixassem a sua residência. O objetivo da GDE era expulsar qualquer morador que tivesse ao menos um familiar ligado à facção Comando Vermelho.

A comunidade da Babilônia foi surpreendida, na manhã da última quarta (3), com pichações como: "Sair fora todo mundo das travessa, se não vai morrer (sic)" e "É pra sair fora hoje si não vai morre. Si não sair, vai tocar fogo em tudo (sic)". As ruas São Tomaz de Aquino e Unidos Venceremos foram alguns dos alvos das pichações.

Algumas famílias acataram as ordens e começaram a mudança no mesmo dia. O clima é tenso na região desde então. Houve a informação de uma troca de tiros entre criminosos e policiais, na última sexta-feira, mas a Polícia não confirmou.

Em represália à ordem de 'Celinho', membros do Comando Vermelho (CV) atiraram pelas ruas do bairro Tancredo Neves, onde o líder da GDE estaria, ainda na noite da última quarta-feira (3). Na ação criminosa, uma criança de oito anos de idade e dois homens, de 20 e 22 anos, foram baleados e levados a unidades de saúde.

Comunidade foi esvaziada pelo medo

Duas patrulhas do Cotam, uma do BPRaio e um a viatura e três motos do 19° DP fazem a patrulha na região desde as pichações (Foto: Kléber A. Gonçalves)

O clima na comunidade da Babilônia, no Barroso, onde famílias foram obrigadas a sair de suas casas, na madrugada da última terça-feira (3), era de tensão nesta sexta-feira (5). A equipe do Diário do Nordeste foi até a Travessa Unidos Venceremos e seus arredores e presenciou o medo demonstrado pelos moradores que decidiram ficar.

Ao chegar no bairro, por volta das 16h30, a reportagem não avistou policiamento. O major Passos, responsável pela patrulha da região, no entanto, disse que o acréscimo foi de duas patrulhas do Comando Tático Motorizado (Cotam), uma do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) e uma do policiamento ostensivo e três motos do 19° DP (Conjunto Esperança). Ainda segundo o major, quatro militares estavam patrulhando a pé pela Travessa, diuturnamente.

Minutos depois, a equipe avistou a primeira viatura na comunidade. Algumas pessoas permaneciam sentadas nas calçadas, mas olhavam desconfiadas para cada movimentação.

Desocupação

Na Travessa Unidos Venceremos e nas que a rodeiam, muitas casas estão fechadas. As últimas famílias se mudaram na manhã da sexta-feira (5), levando o que podiam em caminhões de frete.

Um morador do bairro Passaré, que testemunhou as expulsões, disse que abrigou uma conhecida em sua casa. A mulher teria se mudado sem saber nem mesmo quem habitaria sua casa futuramente.

Um militar, que vasculhava as residências desabitadas, destacou que a desocupação forçada por parte da facção Guardiões do Estado (GDE) pode ter sido motivada por dois fatores: a morte recente de um dos chefes do tráfico local, Alisson Ferreira da Silva; ou para que os próprios membros da facção ocupem as casas. "Bandidos não irão ocupar essas casas", refletiu o PM.

Nas residências era possível ver objetos deixados para trás, como peças de roupas e redes. A casa de número 305 (colocado no chão, possivelmente, pela facção), estava com a porta da frente aberta. Um PM ligou para a dona e disse que ela, apressada, esquecera de trancar.

Não havia certeza de que a moradora estava falando a verdade ou se mentia por medo. O PM acreditava que bandidos já estivessem tomado conta da residência, pois uma luz dentro da casa permanecia acesa. Alguns moradores que ainda habitam o local deram meia-volta ao cruzarem com a reportagem.

© Diário do Nordeste

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